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A devoção dos fiéis de São Cristóvão

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Parte de Bauru despertou ontem ao som de buzinas que, simultâneas, pareciam compor um mantra em homenagem a São Cristóvão, padroeiro dos motoristas, cuja data é comemorada em 25 de julho. A festa em homenagem ao santo, porém, foi antecipada para ontem na cidade, quando fiéis, mais uma vez, saíram em carreata para demonstrar devoção e fé.

Em boleias de caminhões ou na condução de carros, motos e ônibus, quem aprende no dia a dia a enxergar nas estradas e rodovias a história da própria vida, também aproveitou a oportunidade para pedir proteção. “Viver na estrada é difícil. Exige dedicação integral, atenção e respeito”, comenta o caminhoneiro Abel Ferreira, estradeiro há 22 anos.

Quando não trabalha na semana em que o santo é homenageado, participa das festividades alusivas à data. Ontem, levou esposa e filho à Igreja de São Cristóvão, no Jardim América, onde toda a família foi abençoada.

Assim como ele, para receber a bênção, muita gente acompanhou a alvorada no Sindicato das Empresas de Transportes de cargas de Bauru (Sindbru), ponto de partida da carreata.

 

Na frente

No local, às 8h30, padre Luiz Antônio Lopes Ricci, pároco da Igreja de São Cristóvão, fez uma oração antes que o percurso de meia hora começasse. Ele seguiu à frente, na boleia do caminhão conduzido por Luís dos Santos Siqueira, o Belo, que transportou a imagem do santo. O caminhoneiro mal conseguia falar do prestígio, obtido após 28 anos nas estradas.

Graças ao ofício, criou filhos e fez patrimônio. À fé, deve o fato de ter saído ileso de duas tentativas de roubo. Com a imagem e o padre, ele conduziu ontem a carreata pela avenida Nações Unidas, sentido bairro-Centro, passou pelas ruas José Ferreira Marque, Joaquim da Silva Martha e Praça Portugal até chegar ao endereço da paróquia, na av. Nossa Senhora de Fátima.

Em frente à igreja, padre Ricci aspergiu com água benta todo tipo de veículo. Em apenas uma hora, foram utilizados 12 litros de água. “As pessoas chegam de coração aberto. Tem empresa que traz toda a frota. Isso nos alegra porque é manifestação de fé. Vem a família inteira”, comenta o religioso.


Emoção

Enquanto motoristas e veículos eram abençoados, Luzia Iguera Soares da Silva não continha a emoção. Ao som da música Caminhoneiro, de Roberto Carlos, lembrou o quão difícil foi ficar longe do marido Enivaldo Aparecido da Silva, conhecido com Tcheba, logo após o casamento. Isso há 22 anos. “Preocupada, não conseguia dormir à noite”, comenta.

Por conta das circunstâncias, permaneceu só junto à filha, apesar da saudade rompendo o peito. “Em mais de 30 anos de estrada, meu marido sofreu apenas um acidente. São Cristóvão esteve sempre junto, protegendo. É a história da nossa vida, da vida da nossa família”, afirmou. Enquanto isso, os presentes que conheciam cantavam com orgulho ‘’Olho o horizonte e vou em frente;  Tô com Deus e tô contente;  O meu caminho eu sigo em paz”.

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