Um descarrilamento de trem deixou ao menos 56 mortos e cem feridos ontem perto da estação de Santiago de Compostela, na Galícia, no norte da Espanha (veja quadro).
Relatos davam conta, porém, de que o número de vítimas podia passar de 60.
Especula-se que tenha havido falha humana e excesso de velocidade no que foi a maior tragédia ferroviária da Espanha dos últimos 40 anos e ainda o terceiro acidente de trem mais grave da história do país. Até o fim da noite de ontem, a Embaixada do Brasil na Espanha não tinha nenhum registro de brasileiros entre as vítimas.
O trem era da linha de alta velocidade do país, o mesmo modelo que o consórcio espanhol participante da concorrência para operar o trajeto entre o Rio e São Paulo pretende utilizar no Brasil.
O acidente aconteceu na véspera do dia de Santiago, patrono da Espanha e uma das principais festividades do país. A prefeitura da Capital galega cancelou todas as celebrações, que durariam uma semana na cidade com desfiles, shows e missas.
O rei da Espanha, Juan Carlos I, falou com o presidente da região (equivalente a governador), Alberto Nuñez Feijóo, sobre a tragédia.
O trem, que fazia o trajeto entre Madri e a cidade galega de Ferrol, descarrilou por volta das 20h40 (15h40 no horário de Brasília), em uma curva acentuada na entrada de Santiago. A cidade é famosa por ser o destino final de milhares de pessoas (a maioria católicos) que fazem uma peregrinação todos os anos.
Até o fim da noite de ontem, a imprensa espanhola falava de excesso de velocidade da composição.
Segundo o jornal “Faro de Vigo”, a Renfe, operadora ferroviária espanhola, confirmou que o trem circulava a 180 km/h naquele trecho, em que a velocidade de segurança recomendada é de 80 km/h.
O Ministério de Fomento, responsável pela malha ferroviária da Espanha, suspeitava de falha humana.
Um dos maquinistas, segundo o jornal “El Mundo”, reconheceu ter perdido o controle do trem. “Descarrilei, o que posso fazer?”, disse ele a televisões e jornais espanhóis.
O trem fazia parte da linha mais veloz da Renfe, que chega a alcançar 300 km/h.
A via onde houve o acidente havia sido inaugurada fazia apenas dois anos, e apenas trens de alta velocidade passavam por ela.
Por causa da velocidade e da violência do impacto, todos os vagões viraram de cabeça para baixo, e o último pegou fogo. Um deles foi arremessado a cinco metros de distância e ficou pendurado em uma ribanceira.
Por causa do feriado pelo dia de Santiago, o trem estava praticamente lotado. Segundo a Renfe, havia 238 passageiros, além da tripulação.
Modernização
Considerados um dos mais seguros e modernos do mundo, os trens de alta velocidade da Espanha são hoje um dos principais produtos de exportação do país.
O governo espanhol conseguiu no ano passado exportar o modelo para Riad, na Arábia Saudita, e participa de licitações no Brasil, na Rússia, na Turquia e nos Estados Unidos.
Internamente, a Espanha também vem reformando sua malha ferroviária para expandir os trajetos de alta velocidade, que existem há 20 anos e hoje já alcançam 21 províncias do país, em uma malha ferroviária de 3.100 km.