Cultura

A cidade que vira arte

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 3 min

A arte como ação de transformação social e de construção de cidadania: é com este propósito que cerca de 40 professores de artes da rede pública estadual e municipal trabalharão neste próximo semestre nas escolas em Bauru. Depois de passar por um curso (etapa de formação), os educadores desenvolveram projetos com objetivos de trabalhar a arte e paisagens urbanas da cidade, assim como locais históricos e de significado artístico/cultural para a comunidade escolar e para o município.


A iniciativa integra o projeto “A Cidade que é Nossa Cara”, do Instituto Arte na Escola, com parcerias junto à Faac/Unesp, Tilibra (também patrocinadora), Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo (ProAC), Secretaria Estadual de Cultura, Prefeitura de Bauru, através da Secretaria Municipal de Educação, e Diretoria de Ensino. A supervisão local é da professora Guiomar Biondo, da Faac.


Um dos destaques do curso de formação continuada – realizado recentemente em torno de uma semana no Núcleo de Aperfeiçoamento Profissional da Educação Municipal (Napem), cuja estrutura e equipamentos foram disponibilizados pela Secretaria Municipal de Educação, – foi um estudo a partir de uma “expedição” por pontos importantes de Bauru, como o Parque Vitória Régia, Estação Ferroviária, entre outros espaços de importância cultural para a cidade. Os professores captaram imagens desses locais a partir do estudo da arte contemporânea.


“Um dos módulos explora a experiência de uma prática de sequência didática e apreciação. O professor compreendeu como apreciar a cidade e tirar disso conteúdos para o trabalho em sala de aula, o que é fundamental”, aponta o coordenador de projetos do Instituto Arte na Escola, Amaury Costa Brito.


Intervenções


Finalmente, os educadores, ao final da formação, desenvolveram propostas de projetos de intervenções artístico-culturais, na área de artes visuais, a serem realizados em espaços físicos e nos entornos das escolas ou em pontos pré-determinados de Bauru.

“A intenção é fazer com que esses docentes consigam elaborar esses projetos sozinhos e sejam protagonistas do grupo e da classe”, ressaltou a professora formadora Andrea Aly, vinda de São Paulo para ministrar o curso em Bauru junto com os professores Arturo Gamero e Karen Greif Amar.


Uma das propostas elaboradas, por exemplo, é da professora Cristiane Gonçalves, que ministra aulas na Escola Estadual Padre Antônio Jorge Lima, e vai trabalhar com os alunos do primeiro ano do Ensino Médio. A ideia, segundo ela, é fazer intervenção artística com um jardim japonês na escola, que fica no Núcleo Habitacional Nobuji Nagasawa.


Da rede municipal, cerca de 20 professores participaram. Mais de 400 alunos das escolas municipais (sem contar os da rede estadual) deverão participar das atividades nas unidades.

 

Olhar crítico

José Vitor Bertizoli, coordenador da área de artes da Secretaria da Educação de Bauru, considera o curso importante para desenvolver o olhar crítico e artístico sobre a cidade. “Acho que trouxeram conhecimentos bastante interessantes ligados à arte contemporânea e um olhar mais poético frente à cidade em que vivemos. E os conhecimentos que foram trabalhados no curso de formação são fundamentais para trabalhar com um aluno carente de contato de manifestações culturais que acontecem no entorno da escola”, salientou.


“É um curso completo, pois passamos pelas experiências artísticas, através de uma saída pela cidade e seus pontos. Os professores fizeram uma leitura desses espaços”, sublinha o professor coordenador de artes do Núcleo Pedagógico da Diretoria de Ensino de Bauru, Pedro Luiz Padovini. Informações sobre o curso de formação do projeto “A Cidade que é Nossa Cara” estão no site acidadequeeanossacar.wix.com/bauru. (MC)


 

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