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Cemitério da Saudade está esgotado e sem manutenção

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Fundado em julho de 1908, o Cemitério Municipal da Saudade já deixou de ser um local agradável para visitantes dos jazigos. Aos 105 anos, o seu cenário seria de total abandono, a não ser pela visita constante dos funcionários da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb). Em uma rápida visita, a reportagem do JC constatou calçadas quebradas, asfalto antigo e jazigos abertos, sem nenhum cuidado.

 

Quioshi Goto

Túmulo em mau estado de conservação; responsabilidade é dos familiares

No meio do trajeto, a instrumentadora cirúrgica Elisabete Moura disse estar surpresa com o cenário do cemitério. “Faz dez anos que não venho aqui, vim hoje para visitar o túmulo de um amigo que faleceu recentemente. Os jazigos estão abertos, mal cuidados. Uma pena porque aqui também é um lugar de oração”.


Durante a caminhada, altares (ou pequenas capelas) com janelas quebradas e pintura muito antiga. Além dos buracos nas calçadas dos terrenos, jazigos mal cuidados, abertos, faltando partes, trincados.


O gerente de necrópoles e funerária da Emdurb, Paulo Jorge André, explica que os jazigos e suas respectivas calçadas são de responsabilidade dos titulares, ou seja, de quem efetuou a compra e preencheu o cadastro. À empresa municipal, cabe apenas zelar pela área comum do cemitério.


“Toda a área do terreno, que compreende a calçada e o jazigo, é de responsabilidade do titular. Quando acaba formando buraco, nós até ajudamos a tapar com cimento para evitar acidentes, mas não é nossa responsabilidade. Com relação à organização e limpeza dos cemitérios, posso garantir que são feitas com frequência pelos nossos funcionários. É raro encontrar lixo nos cemitérios municipais, a não ser de algumas folhas, que caem muito nesse inverno”.



Retomada


Quando um jazigo fica abandonado, sem manutenção, a Emdurb procura os titulares através de telefonemas e até e-mail, se a família responsável reside em outro município.


O regulamento interno da Divisão de Necrópoles da empresa municipal prevê que, para pedir a retomada do jazigo, é preciso um laudo de vistoria com fotos. “Primeiro tentamos achar os titulares ou familiares de diversas maneiras. Se não conseguimos, realizamos um laudo de vistoria com fotos do abandono do jazigo e publicamos nota no Diário Oficial do Município, em um jornal local e ainda no site da Emdurb, avisando sobre a retomada”, disse Paulo.


O titular ou familiares têm um período de 30 dias para se manifestar. Caso isso não aconteça, o jazigo volta a ser propriedade do município e recebe uma placa de aviso. “Estamos aqui com cerca de 40 processos de retomada, mas muitos ainda demos uma chance maior de procura por parte dos titulares. A partir do momento da retomada, o jazigo é oferecido para interessados de uma fila de espera, já que aqui não há mais espaço para novos jazigos”, apontou o gerente de necrópoles e funerária da Emdurb.

 

Não há vagas

Dono de um espaço de 46.250 metros quadrados com 5.673 jazigos, o Cemitério da Saudade não possui mais vagas para novos túmulos, bem como o de Tibiriçá e o São Benedito. Apenas oferecem espaço para mais jazigos os cemitérios Cristo Rei e do Redentor.

Jazigo histórico

Alguns jazigos históricos como, por exemplo, o de Virgílio Malta, também se encontram em estado de abandono, segundo o gerente de necrópoles e funerária da Emdurb Paulo Jorge André.


“Eu localizei familiares que moram em outro município, mas estou em contato com o advogado deles. O nosso procedimento é de emitir uma publicação, porém, como se trata de um nome histórico, uma vez estando publicado, novamente vou entrar em contato com a família, vou mandar um novo aviso e, posteriormente, vou emitir um parecer para a nossa presidência repassar à Secretaria de Cultura. Esta deverá comunicar a Secretaria de Obras e, se a Obras achar por bem, ela poderá fazer. Caso contrário será feita a retomada”, explicou.

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