Depois de 21 horas de julgamento, João Antônio Bueno de Camargo, 29 anos, e João Henrique Mantuan, 21 anos - acusados de estuprar, matar e abandonar em um curral o corpo de Franciele Santos Brito, na época com 16 anos, no dia 9 de janeiro do ano passado, em Agudos (13 quilômetros de Bauru) - foram condenados pelo Tribunal do Júri a 48 anos de prisão em regime inicialmente fechado – pena máxima prevista para os três crimes. Um terceiro envolvido, irmão de João Antônio, que tinha 17 anos na época, está internado na Fundação Casa de Iaras.
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Com mãos para trás, João Antônio e João Henrique recebem a condenação no Fórum |
O julgamento começou na quinta-feira, por volta das 9h, sob protestos de familiares e amigos da adolescente com pedidos de Justiça. A defesa de João Antônio tentou convencer os sete jurados de que a vítima era garota de programa. O advogado sustentou que seu cliente teria se encontrado com ela e ido embora, deixando-a com João Henrique.
Já a defesa do segundo réu insistiu na tese de que não havia provas do envolvimento dele no crime. Após ouvir os advogados e o promotor de acusação, Luiz Carlos Gonçalves Filho, a maioria dos jurados decidiu pela condenação dos dois.
A sentença
A sentença foi lida pelo juiz Ricardo Venturini Brosco ontem, por volta das 6h.
Nela, pontuou que as circunstâncias chocaram a comunidade local e demonstraram presença de “frieza emocional, insensibilidade acentuada por parte dos réus e personalidade deturpada”.
“Os crimes praticados extrapolaram todos os limites do que geralmente é observado em crimes de homicídio e estupro”, afirma.
Segundo o magistrado, antes de ser estuprada e morta por estrangulamento, a estudante foi agredida a pauladas, arrastada viva por mais de 10 metros, amarrada e queimada com pontas de cigarro.
Além disso, o pedaço pontiagudo de madeira introduzido na vagina dela chegou a rasgar seu útero.
O juiz condenou João Antônio e João Henrique a 30 anos de prisão por homicídio triplamente qualificado (por asfixia, tortura e recurso que impossibilitou a defesa da vítima), 15 anos de prisão por estupro (com os agravantes de meio cruel, tortura e recurso que impossibilitou a defesa da vítima) e três anos de prisão por ocultação de cadáver.
O advogado de João Antônio, Marco Antônio Monchelato, informou que vai recorrer da decisão.
O advogado de João Henrique, Lino José Henriques de Mello Junior, não foi localizado pela reportagem. No início desse ano, a irmã dele postou vários vídeos na internet com o título “Caso de injustiça na cidade de Agudos” para tentar provar a inocência dele.
Segundo o que foi apurado pelo delegado Jader Biazon, primeira testemunha de acusação a depor, no dia 9 de janeiro do ano passado, por volta das 21h, a estudante Franciele Santos Brito foi agredida a pauladas, estuprada e enforcada com uma corda de amarrar gado em um curral no jardim Márcia.
Veja vídeo:
Fórum de Agudos/Divulgação
