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Basquete: ?Bauru abraçou o basquete?

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 3 min

Iraniano que mora no Brasil desde os três anos de idade, Kouros Monadjemi foi o primeiro presidente da Liga Nacional de Basquete (LNB), entre 2008 e 2012, quando passou a ser diretor institucional, com o cargo máximo sendo ocupado pelo paulista Cássio Roque (dirigente do Limeira Basquete).

Kouros esteve em Bauru na última segunda-feira na festa de lançamento do elenco do Paschoalotto/Bauru, e conversou com o JC. A seguir, os principais pontos abordados pelo dirigente na entrevista.

Crescimento do Bauru Basket...

“Eu acompanho Bauru desde o primeiro NBB, e aqui há um projeto, uma evolução. O clube optou por não montar um super-time no primeiro ano, mas sim montar uma base, uma espinha-dorsal, e isso é muito interessante. Além de Bauru, vemos outras equipes fazendo isso, como Pinheiros, Limeira, Uberlândia, Brasília. Isso tem sido importante para o crescimento da competição. E Bauru é uma cidade que respira basquete, que abraçou o basquete. Falei isso ao Rodrigo (Paschoalotto, presidente da empresa que patrocina a equipe), vocês vão colher muitos frutos positivos ainda com este investimento. Dificilmente uma equipe como esta acaba”.

Desenvolvimento da Liga Nacional...

“A Liga Nacional está se estruturando desde o seu início, e avançamos a cada temporada. Não tenho dúvidas de que, em dois ou três anos, teremos a competição nacional mais forte do continente, atrás apenas da NBA, é claro. Hoje nós temos um desafio que é a Copa do Mundo de Futebol, até o ano que vem, todos os investimentos públicos e privados estão focados lá. A partir de julho do ano que vem, o foco será as Olimpíadas, e isso deve beneficiar modalidades como vôlei, natação, basquete, atletismo”.

O papel da TV...

“Na Euroliga, por exemplo, os clubes pagavam para a televisão nas primeiras temporadas, depois é que passou a ocorrer o contrário. O custo operacional para o SporTV transmitir uma partida varia entre R$ 25 a R$ 30 mil, e são em média 70 jogos televisionados por NBB. Então, é difícil ainda pedir dinheiro para a televisão (como é feito no futebol), mas que o produto basquete já é atrativo, isso sem dúvida. Quando o NBB começou, ninguém sabia o que era, hoje já é um campeonato consolidado”.

Final em jogo único...

“Ainda não sabemos como ficará para esta temporada. A final em jogo único é feita única e exclusivamente por interesse comercial. Com relação a parte técnica, somos contra. Eu sou amante do basquete, se você falar para mim em jogo único, é complicado, mas eu hoje acabo aceitando essa situação, pois precisamos estabelecer o basquete. A televisão não nos impõe, é uma decisão tomada pelos clubes. Chegamos e temos duas possibilidades: melhor de cinco e jogo único. A probabilidade de ter transmissão na TV aberta e conseguir mais patrocinadores, é muito maior com o jogo único. Bauru é uma situação diferente, pois gosta de basquete, mas em muitos locais do País se conhece pouco de basquete, mas se conhece de vôlei. Então para este período de estabelecimento da Liga, acaba sendo necessário, agora se futuramente a gente estiver estabilizado, com dinheiro em caixa, uma situação tranquila, nunca faríamos uma final em jogo único. Mas a decisão final sempre é tomada pelo Conselho dos clubes. Essa situação do jogo único vai acabar, pode ser esse ano, ano que vem, mas uma hora vai acabar”.

Futuro do NBB...

“Ainda não podemos afirmar quantos clubes estarão nesta temporada. Mas todos os inscritos precisarão comprovar que possuem condições financeiras (patrocínio) e técnica (elenco) para suportar a disputa do NBB. Talvez tenhamos 20 clubes, mas pode ser menos. O ideal no futuro é ter 16 equipes na elite. A partir desta temporada, começa a Divisão de Acesso, deve começar em janeiro ou fevereiro, devem subir dois times e cair três que estão no NBB, e vai assim até chegarmos a 16 clubes na elite. Mas precisamos ter em todo o País pelo menos cem equipes de basquete de alto nível, seja elas disputando NBB, Acesso, Copa Brasil, a própria Liga de Desenvolvimento, que é muito importante e está crescendo a cada ano”.

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