Ele voltou recentemente de Las Vegas, nos Estados Unidos, onde participou de um campeonato que é o sonho de todo jogador de pôquer, o World Series of Poker (WSOP), o mais famoso campeonato mundial. As boas conquistas de Eduardo Mauad o colocaram entre os 100 melhores jogadores do Brasil, além de estar entre os 15 primeiros do Estado.
Nascido em Bauru, Eduardo também dedicou parte de sua trajetória profissional à vida noturna. Como empresário do ramo, ele foi sócio de famosas casas noturnas de Bauru, como a Vila Madalena, Live, Bangalô, Stage e Havana: “Sempre gostei de fazer festas”.
Pai da jovem Mariana, de 21 anos, Eduardo também se dedica à empresa da família, a Chedalgus, reconhecida como uma das principais administradores de condomínio do Interior paulista.
Apaixonado por esporte e pelo Corinthians, o entrevistado de hoje conta algumas de suas principais passagens pessoais e profissionais, a seguir.
JC - Quando você descobriu o pôquer?
Eduardo Mauad - Esqueça aquele pôquer de cinco cartas nas mãos em um quarto escuro com todo mundo fumando. Esse praticamente não existe mais, e foi o que eu aprendi aos 18 anos de idade, em São Paulo. Eu fazia faculdade e jogava com os amigos nas madrugadas dos finais de semana quando voltávamos da balada. Esse tipo de pôquer você joga praticamente sem informação, a única coisa que você sabe é quantas cartas cada um tem, e você blefa, aposta... Mas está em desuso. Em 2005, eu descobri o que o mundo joga hoje: o Texas Hold’em, o estilo de pôquer mais jogado atualmente em todo o mundo.
JC - O que é peculiar no Texas Hold’em?
Eduardo - Esse jogo fez tanto sucesso que virou uma febre mundial, inclusive no cinema. Ao invés de cinco cartas, cada jogador recebe duas cartas. Há a melhor combinação, que é ás/ás e a pior, que é um sete/dois. E há um ranking de mãos que todo jogador de pôquer deve saber. Desde 2010 ou 2011, o Texas Hold’em está na Federação Internacional dos Esportes da Mente, assim como o xadrez, por exemplo.
JC - Ele já foi considerado um jogo de azar?
Eduardo - Um jogo de azar é um jogo onde a sua habilidade não faz nada, você conta apenas com a sorte. Nessa modalidade você consegue, de acordo com diversas atitudes, induzir os outros jogadores ao erro, consegue transformar as suas cartas fracas em vitória, tudo através de apostas e da sua habilidade de leitura do adversário. Por meio da sua habilidade, você lê o adversário quando ele aposta, mexe nas fichas, engasga... Mas é claro que a sorte aparece em tudo na vida.
JC - Por que o uso de óculos escuros?
Eduardo - Muita gente usa. Eu não gosto. Há estudos que apontam a região das narinas e boca como as que mais mostram as intenções do jogador. O legal do pôquer é que ele ajuda em muitos aspectos da vida: ajuda na boa gestão de economia, já que você tem de saber até onde pode jogar e quando deve parar. O conhecimento matemático e estatístico é estimulado, além de melhorar a empatia, pois você precisa se colocar no lugar do outro. Você também interage com pessoas de todas as idades e aprende com as derrotas, porque elas são muitas até a recompensa chegar. A coisa mais importante no pôquer é paciência e controle.
JC - Suas viagens são sempre voltadas ao jogo?
Eduardo - (Risos) O que eu posso dizer é que em todos os países por onde passo, seja a trabalho ou a passeio, eu frequento os cassinos, caso existam. Eu já joguei na Holanda, África do Sul, Itália, Uruguai, Argentina e em Las Vegas, que é a meca do pôquer. Todo jogador quer ter o prazer de estar lá. É como se fosse a Copa do Mundo de pôquer. Eu estive duas vezes em Las Vegas para o mundial, o WSOP. Esse mundial é composto por 62 eventos divididos em 40 dias de torneios. Cada evento é um mundial.
JC - Você participa de qual evento?
Eduardo - Do “Texas Hold’em Sem Limites de Apostas”. Desta última vez havia cerca de 300 brasileiros por lá. O legal do pôquer é que o poder do dinheiro, o sexo ou a idade não fazem diferença. Todos são iguais em uma mesa de pôquer, o que muda é a habilidade de cada um. E o troféu é um bracelete, o mais caro troféu do mundo. Custa quase 600 mil dólares. Os nove últimos jogadores voltarão à disputa em novembro, evento transmitido ao vivo pela ESPN, e o campeão ganhará oito milhões e meio de dólares. O campeão vira uma lenda.
JC - Quais foram as suas conquistas?
Eduardo - Eu joguei quatro eventos da WSOP, de Texas Hold’em, e em dois deles eu “fiz dinheiro”, que é uma coisa muito difícil. Um tinha três mil pessoas participando e eu fiquei na posição 228. Outro, entre 2.541 pessoas, e minha colocação foi a de 199. O mais legal é que, com esses resultados, eu estou entre os 100 melhores jogadores do Brasil, além de ocupar a 15ª posição no ranking paulista.
JC - Você já viu jogadores perdendo ou ganhando muito?
Eduardo - Você já ouviu aquela velha história do cara que perdeu uma fazenda no pôquer? Alguém já viu uma cara que ganhou uma fazenda no pôquer? O que acontece é que os costumes eram outros. Antigamente, alguns homens tinham a chamada segunda família e precisavam manter muita gente. É por isso que ele perdia casas, terras... Entendeu de onde vem a lenda? Bom, a maioria dos jogadores de Las Vegas é amadora, como eu. Gente que conhece e gosta do jogo, mas não vive dele. E você fazer dinheiro lá é emocionante. Eu vi uma garçonete ganhar 400 mil dólares depois de apostar mil dólares.
JC - Quais foram as suas “jogadas” profissionais ao longo da vida?
Eduardo - Eu acredito que tudo o que você conquista na vida é em função do que você é desde moleque. Eu fui para São Paulo estudar economia e administração na Universidade de São Paulo (USP). Lá, eu tive a sorte de pegar uma nova vertente da administração, a criação de empresas, isso em 1985. Formei-me voltado para isso e vim montar uma empresa aqui, em Bauru. Eu tinha 21 anos de idade e, como a minha família sempre teve comércio, eu montei uma loja junto com uma confecção de malhas. E acabou dando muito certo.
JC - Você também já foi empresário da noite, correto?
Eduardo - Eu sempre tive uma paixão muito grande por casas noturnas. No tempo da faculdade, eu e um amigo alugávamos boates em São Paulo e organizávamos festas. Eu sempre gostei de fazer festas, mais do que participar delas. E conheci o Vinícius Tobias, que estava montando a Plenty, na Duque de Caxias, onde eu fiquei de 1989 a 1991. Foi uma experiência que eu gostei muito. Bom, eu já conhecia o João Cabreira e, em 2000, ele me chamou para ser sócio de um projeto que ele tinha em mente. Ele veio com a ideia do Vila Madalena, uma ideia grande e fantástica que trazia algo diferente do que a região estava acostumada. A proposta era oferecer várias opções de ambientes em um único espaço. A gente tinha espaço para música eletrônica, um restaurante, um bar ao ar livre e uma parte para o som ao vivo. Depois, montamos outras casas noturnas que também fizeram sucesso, como a Live, o Bangalô, Stage, Havana... Viajávamos para outros países em busca de novas ideias e tudo mais. Acabamos com a parceria em 2011, e aquele foi um período muito bom para mim.
JC - O trabalho com casa noturna dividiu o seu tempo com a Chedalgus?
Eduardo - Mesmo durante o trabalho com casas noturnas eu continuei trabalhando na Chedalgus, que é a empresa da família. Uma curiosidade sobre a empresa é que meu pai uniu os nomes dos filhos para chegar até Chedalgus. Não posso deixar de mencionar a minha família. Além da minha filha, Mariana, a minha mãe Carmen e os meus irmãos Alexandre, Gustavo e Cheide (que leva o nome do meu pai) são muito importantes na minha vida.
JC - O esporte também é paixão desde a infância?
Eduardo - Eu sou fanático por esporte desde moleque. Lembro-me que o meu pai era jogador de tênis e eu comecei a jogar a modalidade muito cedo. No tênis, o professor Cláudio Sacomandi e o meu pai me marcaram muito. Tanto que quando eu estou na quadra eu sempre me lembro do que eles me ensinaram. Além do tênis, o futebol é outra paixão esportiva. Mas, naquela época, nenhum tipo de esporte era rentável, ou seja, investir nesse tipo de carreira não era o mais recomendado. A gente tinha mesmo era que estudar, ir para a faculdade. Hoje vale a pena investir na carreira esportiva. Mas eu sou fã do esporte até hoje, tanto que sei as regras de praticamente todos eles. Sou corintiano, uma herança de família! (risos)
Perfil
Nome: Eduardo Mauad
Idade: 49 anos
Cidade: Bauru
Filhos: Mariana
Hobby: Pôquer, tênis e futebol
Livro de cabeceira: “Almanaque dos Anos 80” e “O Código da Vinci”
Filme preferido: “Touro Indomável”
Estilo musical predileto: A banda Blondie e rock dos anos 80
Time: Corinthians
Para quem dá nota 10: Para a minha família
Para quem dá nota 0: Para os que não lutam para melhorar e para os que não acreditam que podem vencer
E-mail: edu-mauad@hotmail.com