Tribuna do Leitor

Da Havan para La Havana


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Há um ditado que diz: a mente vazia é a oficina do diabo. Ao ver o movimento de meia dúzia de pessoas que se revoltou contra a réplica da estátua da liberdade instalada num complexo comercial na entrada de Bauru, concluo que o capeta está trabalhando bastante. Chegou-se a passar um patético abaixo-assinado pela retirada da estátua, mas o argumento não poderia ser mais despropositado: aquilo é um símbolo do imperialismo americano.

Hodiernamente, só o modorrento Fidel Castro e seus simpatizantes, partindo de La Havana, capital embolorada de Cuba e do comunismo, poderiam proferir tamanha estultice. A começar porque a estátua da liberdade não representa o imperialismo; muito pelo contrário, representa a libertação do jugo colonialista do império britânico. Para quem nunca estudou história e fica repetindo asneiras, o monumento foi um presente dos franceses na celebração dos 100 anos de independência americana, cuja luta pela liberdade ceifou a vida de 600.000 homens, mulheres e crianças numa luta desigual entre um povo obstinado e a poderosa armada inglesa.

Segundo, porque cada rede comercial tem sua logomarca. Aquela, em razão da sua origem, faz uso da Estátua da Liberdade. E daí? E se fosse uma sequoia? Iriam reclamar porque essa árvore não é nativa de nosso país e exigir a substituição por uma muda de Pau Brasil? Se fosse uma réplica da água americana ou condor andino exigiriam a troca por um tucano ou tatu-bola?

Recordo-me que ainda em tenra idade, quando íamos visitar meus parentes em Lins, a imagem que eu guardava em mente da chegada da cidade era de chaminés feias de algumas fábricas. Para os viajantes que chegam à Bauru, seja o "M" do MacDonald?s, o gorduchinho do Habib?s ou a Estátua da Liberdade, não será o símbolo da empresa que mudará o portal da cidade ou o viés ideológico de origem da marca comercial. Aos nefelibatas da louca intifada, fica a dica: tratem da neurastenia com algo útil para preencher o tempo livre, um trabalho comunitário ou leiam um livro. A mente vazia é a oficina do diabo.

Ivan Goffi

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