Tomei a liberdade de brincar com a réplica da estátua da Liberdade fincada defronte a uma loja de departamentos, justamente no trevo principal de entrada de Bauru e entregue como presente no seu aniversário. Para os incautos, parece um totem, confundido com um portal de entrada da cidade. Portal esse que não temos e deveríamos pensar no assunto.
Um jornalão me entrevistou por telefone, transcrição mal entendida, errou até na função citada, me colocando como membro do Conselho Municipal de Educação, sendo que o disse ser do de Cultura. Gostei do texto deles, mas não sugeri o "em vez da estátua, Aquino propõe que se erga outro monumento, em homenagem a cafetina Eny Cesarino". Disse que como "contrapartida" poderia iniciar uma campanha para o levante de outra, no trevo anterior de entrada da cidade. Disse também que aquele trevo, mesmo não recebendo o nome dela, já estava mais do que imortalizado na história e para todos os habitantes como o da Eny. Não assinei, não assinarei e nem fui convidado a assinar manifesto algum. Cada um no seu quadrado. Eu contesto ao meu modo e jeito.
A galhofa é sempre bem-vinda e a intenção foi essa. Nas redes sociais o termo mais elegante recebido por esse impertinente escriba, acostumado a não levar tão a sério as últimas, foi de "desocupado". Gostaria de poder sê-lo, mas ainda estou longe disso, infelizmente. Eny, guardadas as devidas proporções, não difere de muitos possuidores de estátuas, homenageados em placas e láureas com títulos de Cidadão. Um é banqueiro, outro doleiro, outra cortesã, tem o investidor, o negociante da Bolsa e tem a cafetina. Tudo vivendo e apostando suas fichas na aldeia onde escolheu viver ou fazer negócios.
No site do jornal o texto é um pouco mais longo que o do jornal impresso e ajuda a dissipar desentendimentos. Por fim, a loja ganhou publicidade gratuita e pelo visto Eny continuará sem sua estátua. Já penso em bolar campanha de outra, a do Pelezinho, não o craque do futebol, mas o serviçal da Batista, merecendo a justa homenagem onde reinou e deitou fama. Dizem que esse meninão sim é que era livre, leve e solto. Que tal?
Henrique Perazzi de Aquino, jornalista e professor de História -www.mafuadohgpa.blogspot.com