As atividades de segurança cobram treinamento, experiência e sensibilidade e exigem excepcional perspicácia no observar e recolher pequenos detalhes que podem ser essenciais para evitar situações trágicas. Nem sempre dá certo e fracassos ocorrem. Há poucos dias na cidade americana de Long Island uma casa foi cercada e invadida por agentes armados do FBI surpreendendo casal de moradores prontamente imobilizados enquanto assistiam atônitos busca domiciliar, nada de suspeito sendo encontrado. Na seqüência o casal foi separadamente interrogado apurando-se por espontâneo relato que o homem através da internet pesquisara preços de mochilas e a mulher num site de compras adquirira enorme panela de pressão. Cidadãos pacatos, sem antecedentes criminais e sem envolvimento com grupos políticos, tornaram-se suspeitos de terrorismo porque a vigilância eletrônica conjugando em trabalho de inteligência policial as palavras mochilas e panela de pressão, objetos utilizados no atentado terrorista de Boston, destacaram situação suspeita a merecer investigação. Com pedidos formais de justificadas desculpas pelo transtorno, o episódio encerrou-se deixando o aterrorizado casal ciente do eficiente sistema de vigilância do FBI para prevenir atentados terroristas.
Por aqui narra nosso folclore político ? e a fonte é o velho Pasquim - que nos momentos paranóicos que se sucederam à bomba que explodira do lado de fora do RioCentro em 30 de abril de 1981 ? conhecido e recentemente esclarecido episódio político-policial - que no curso de operação de saturação implantada na zona urbana do Rio de Janeiro um homem comum subia o morro levando às costas um grande saco de estopa contendo algum objeto. O homem despertou atenção de jovem militar que tinha em mente a preleção do comando feita pouco antes, destacando importância da operação para a segurança e a audácia dos terroristas. Com fuzil engatilhado e pronto para disparo o jovem militar indagou do homem o que transportava no saco de estopa. O assustado homem ao responder que no saco de estopa transportava água provocou exasperação do militar que determinou, com fuzil preparado, que o saco fosse aberto constatada, então, a existência, nele, de bomba hidráulica para retirada de água de poço, com a aparente mentira aumentando a irritação. O cidadão abordado justificou do alto de sua esperteza carioca: - Excelência se eu começasse falando bomba será que antes do tiro teria tempo de dizer que era de água? E os espíritos e o fuzil desarmaram-se.
Nestes dois episódios ? bombásticos - ocorridos em tempos e situações diferentes envolvendo agentes da lei e pessoas simples do povo, constata-se que os quadros tensionais de risco muito típico das atividades de segurança sempre exigem prudência e cautela de parte a parte e que em algumas vezes é a própria naturalidade e esperteza que interferem para prevenir e evitar tragédias. Nestes nossos tempos de vigilâncias eletrônicas mundialmente expandidas também deve ser grande o número de fracassos, muitos deles certamente bombásticos, exigindo, claro, aperfeiçoamento da inteligência policial e desculpas justificadas aos inocentes envolvidos, aliviada a tensão.
O autor, José Fernando da Silva Lopes, é advogado