O fihotinho é lindo. Quem vê a foto pensa que é um gatinho. Quem gosta de felinos quer levar para casa e se apaixona quando sabe que esse filhote corria o risco de morrer queimado. Mas não se deve ter ilusões: trata-se de uma fêmea de jaguatirica, animal em extinção na região e no País. “E muito difícil de ser encontrado por aqui, hoje em dia” segundo o diretor do zoológico municipal de Bauru, o zootecnista Luis Antonio Pires. A oncinha foi resgatada na tarde de ontem, em Lins (100 quilômetros de Bauru), e tem cerca de um mês de vida. O animal foi encontrado em uma extensa área de canavial, no bairro rural Tangarás, durante patrulhamento de rotina dos policiais ambientais da base de Lins. “Eles (os policiais que a acharam) tentaram encontrar o ninho ou a mãe”, diz o policial Alexandre Pelegrino, da Polícia Ambiental de Bauru que foi o responsável pelo transporte dela para Bauru ontem, onde permanece até esta manhã quando será transferida para o Hospital Veterinário da Unesp, na Fazenda Lageado, em Botucatu, que deve cuidar dela e manter para estudo até ficar adulta.
Por estar com menos de 20 centímetros, ter cerca de um mês de vida, o filhotinho inspira cuidados. Normalmente como estão em extinção casos como esse fazem com que os animais não retornem à natureza jamais, porque ele tem que aprender tudo com a mãe, ela é quem ensina tudo o que ele precisa para sobreviver na natureza e, nesse caso, não houve tempo para esse aprendizado.
No entanto, neste momento a Polícia Ambiental está preocupada com a sobrevivência do filhotinho e também em identificar se há mais casos desses na região. “O desmatamento é grande, há muitas queimadas e se a equipe não tivesse encontrado esse filhote com certeza acabaria morrendo com o frio da madrugada”, explica o soldado Pelegrino. O que intriga é não haver próximo dali nenhum vestígio de ninho, nem da mãe.
Já Pelegrino diz que “a fêmea não faz companhia para os filhotes o tempo todo, ela os esconde quando precisa caçar e volta para alimentá-los um tempo depois. Muitos podem pensar que a mãe os abandona, mas não é bem isso.”
Mas evidente que essa fêmea teria que ser resgatada. A cada cria, a fêmea pode ter entre um e três filhotes. Mas o soldado Pelegrino lembra que “por mais que a queima da palha de cana seja legalizada, pode ocorrer a morte do animal”. A vigilância vai ser redobrada, claro, pelo ineditismo, pelo fato de ser um animal em extinção, “mas neste momento não é possível saber o que houve com a mãe do filhote encontrado ou se há outros da mesma cria perdidos pelo canavial”.
Outro caso
As queimadas da cana devem mesmo estar afugentando os animais. Há menos de uma semana ainda em Lins uma onça parda, espécie adulta, foi capturada na garagem de uma residência do bairro Junqueira. Foi necessária a intervenção dos bombeiros.
O proprietário da casa teria percebido a presença da onça por volta das 17h30. Em princípio, por estar escuro no local, ele acreditou que fosse um gato, mas, quando tentou espantá-lo, foi surpreendido por um rosnado, se afastou e acionou o Corpo de Bombeiros da cidade.
De acordo com a equipe que atendeu a ocorrência, durante a captura, a onça permaneceu acuada atrás de uma caminhonete estacionada na garagem. Os bombeiros usaram dardos de tranquilizantes e uma rede para colocar o animal em uma gaiola.
Animal em extinção
De hábitos noturnos a jaguatirica é um felino originariamente encontrado na Mata Atlântica e próprio do Brasil e da América Latina. Também é chamada de gato-do-mato ou onça pintada. Passa a maior parte do dia dormindo. As fêmeas têm de um a quatro filhotes a cada gestação que acontece de dois em dois anos, com um período de gestação de 70 a 95 dias. Em cativeiro calcula-se uma média de 20 anos de vida. As fêmeas chegam à idade adulta em um ano e meio e os machos em dois anos. Alimentam-se de pequenos roedores, de morcegos, cobras, lagartos e ovos, além de caçar aves. O valor de sua pele fez com que fosse bastante caçada. Agora é a falta de matas, com o desaparecimento do cerrado que também faz com que esteja praticamente extinta.
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Talita Zaparolli/Divulgação |
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O filhote de jaguatirica ficará hospedado no Hospital Veterinário da Unesp de Botucatu |

