Política

Comissão quer priorização de leitos

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 2 min

Como já era esperado, os problemas com a retaguarda hospitalar em Bauru, aliado ao decreto de estado de calamidade pública do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), centralizaram os debates na sessão da Câmara Municipal de ontem. Os vereadores médicos, que integram a Comissão de Saúde, querem reunir todos os entes envolvidos e propor a priorização dos leitos para os pacientes de urgência e emergência.

Raul Gonçalves Paula (PV) apresentou ofício apontando a necessidade de suspender todas as cirurgias eletivas no Hospital de Base e Hospital Estadual. “A ideia é ajustarmos a distribuição dos leitos à nossa realidade emergência”, disse.

A proposta do parlamentar é de que os procedimentos eletivos sejam liberados somente depois de detectado o número de leitos que precisa ser reservado para a retaguarda ao Pronto-Socorro Central (PSC) e às Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs), além dos pacientes de emergência da região.

“Esses pacientes eletivos podem ser atendidos, posteriormente, no esquema de mutirão. É possível até zerar essas demandas”, pontua Raul.

A proposta deve ser discutida em reunião da Comissão de Saúde para a qual devem ser convidados, além do município, representantes da Secretaria do Estado de Saúde, o Ministério Público Estadual e o Ministério Público Federal (MPF) – os dois últimos envolvidos na apuração do déficit de leitos em Bauru.

Na mesma linha da Raul, Telma Gobbi (PMDB) disse que os pacientes eletivos também merecem atenção, desde que seja criado uma forma de priorizar os urgentes.

A vereadora, porém, foi enfática ao criticar o que chama de “hospital de orçamento”. “Só atendem enquanto tem dinheiro. Quando o recurso acaba, eles fecham as portas”.

Telma também defendeu a utilização do Lauro de Souza Lima para ampliar os leitos gerais, mas cobrou da Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp) cronograma para recuperação dos leitos do Base.

Presidente da comissão legislativa, Paulo Eduardo de Souza (PSB) entende que a oportunidade é única para que o problema seja discutido no aspecto estruturante. A próxima reunião do grupo acontece na quinta-feira, mas os vereadores não sabem se poderão contar com a presença de todos nesta data. “Mas queremos que isso aconteça em caráter de urgência”, ressalta Paulo. O socialista disse ainda que “acabou a condescendência” em relação às mortes na fila por leitos.


Pressão

Fabiano Mariano (PDT) deu ênfase à redução de 65% no número de pacientes do PSC na última semana. “É só ter pressão de algum órgão que lhes forneça algum tipo de risco que eles dão um jeito. Isso reforça a questão do “hospital de orçamento” colocado pela Telma”.

Já Roque Ferreira (PT) frisou que o eventual represamento de vagas para pacientes da região deve ser apurado e cobrou mais transparência da Famesp, pois a entidade privada recebe recursos públicos.

Moisés Rossi (PPS), por sua vez, afirmou que, caso o município, de fato, contrate leitos particulares, deve cobrar a conta da Secretaria do Estado de Saúde.

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