Tribuna do Leitor

Um sonho brasileiro


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Havia anos que se falava vagamente em melhorar ao serviço ferroviário no Japão. Finalmente , em 1957, o brusco e dinâmico Sinji Sogo, então presidente da Estrada, desafiou seus colegas a agirem: " o progresso técnico chegou a tal ponto que uma viagem de trem de três horas entre Tóquio e Osaca é não só possível, como se torna imperiosa" ? afirmou Sogo. "A única coisa que se tem a fazer é tocar para frente e construir esse sistema."

Para apreciar essa realização ferroviária, venha dar um passeio comigo. O trem bala Hikari (que quer dizer luz) aguarda na nova e cintilante estação terminal de Tóquio: como longa e esguia flecha pronta para disparar. O sistema de ar condicionado murmura suavemente. Dois dos doze vagões de cada composição são ricamente elaborados por tecidos dourados e aço inoxidável; na segunda classe, a cor que serviu como base de decoração é o prateado.

Exatamente no horário o Hikari desliza para fora de Tóquio e parte tão suavemente que a gente nem se dá conta do movimento. O trem adquire velocidade rapidamente. Mas por estranho que pareça, a viagem é curiosamente silenciosa. Os vagões à prova de som, um soberbo leito de estrada e molas pneumáticas, tudo concorre para dar a ilusão de estarmos velozmente planando. O maquinista viaja em uma cabina no primeiro carro, por cima do nariz em forma de bala. Lá no alto, olhando a paisagem fugidia através do para-brisa em V, a gente percebe a velocidade com que o Hikari devora o espaço. Os reluzentes trilhos de aço são como interminável fita que é engolida pelo trem em sua arremetida, a 210 km horários. Corre-se sem parar, entrando e saindo de um túnel sob o arco rendilhado de uma ponte, passando por fazendas, fábricas e aldeias de pescadores.

A velocidade do trem ao longo de todo percurso é controlada por um sistema transistorizado, o "sistema de controle automático do trem" que ficou lá atrás num imenso salão da estação de Tóquio. Diz o maquinista: "Uma vez dada partida ao trem, eu poderia reunir-me aos passageiros. O Hikari faria a viagem com toda a segurança. A construção dessa linha no Japão foi solução que os japoneses encontraram para um problema de transportes que, na época, embaraçava a economia daquele importante País.

Texto do livro "O Ferroviário", de meu pai Wanderley Brosco - Carolina Brosco ? Publicitária

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