Quioshi Goto |
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Mônica Azzariti é vice-presidente da Academia Brasileira de Fonoaudiologia Forense |
A gravação telefônica em que um conhecido traficante manda torturar e matar um desafeto. Alguém poderia imaginar que este é o produto de análise de uma fonoaudióloga? Trata-se da fonoaudiologia forense, interface que liga a lei à ciência de comunicação humana.
O tema foi explanado anteontem em uma oficina da XX Jornada Fonoaudiológica de Bauru (Jofa) “Profa. Dra. Giedre Berretin-Felix”, evento realizado nesta semana na Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da Universidade de São Paulo (USP).
A oficina foi ministrada por Mônica Azzariti, vice-presidente da Academia Brasileira de Fonoaudiologia Forense (AcadeFFor). “Trata-se da utilização das técnicas da fonoaudiologia na esfera criminal e jurídica”, explica.
A atuação do profissional se baseia em aplicar técnicas científicas dentro de um processo legal e abrange todas as questões relacionadas à comunicação nas áreas da voz, fala, linguagem oral, escrita e audição.
“Hoje, as investigações envolvem muito as interceptações telefônicas. Então, o acionamento é para se provar quem está falando. É a produção desse tipo de prova”, destaca Azzariti, que trabalha desde 2005 no Ministério Público (MP) do Rio de Janeiro.
Traficante
Foi exatamente esse o trabalho que ela realizou na gravação telefônica em que Fernandinho Beira-Mar ordenava a execução de um estudante. A vítima teria tido um relacionamento com a namorada do famoso traficante.
“Foi um caso que chamou bastante a atenção. Fizemos a perícia e descobrimos que a voz não era do suspeito inicial, que estava preso”, revela a fonoaudióloga.
Além de descobrir quem fala, é analisado ainda “o que se fala e como se fala”. “O trabalho se baseia também em analisar códigos que são utilizados e até em exames grafotécnicos. Outra área é a linguística forense, que envolve a análise de mensagens SMS e até em redes sociais”, finaliza Mônica Azzariti.
Apesar da atuação no MP, ela pontua que os fonoaudiólogos forenses são acionados em alguns casos pela polícia. De acordo com a AcadeFFor, casos como ameaças, chantagens e até sequestros têm participação fundamental desses profissionais.
