O governo britânico defendeu-se ontem das acusações de abuso na detenção do brasileiro David Miranda, alegando que a polícia tinha o direito de fazer isso por considerar que vidas corriam perigo em decorrência de informações obtidas pelo fugitivo norte-americano Edward Snowden, que estavam em poder de Miranda.
O brasileiro é companheiro do jornalista norte-americano Glenn Greenwald, que vive no Rio de Janeiro e revelou em junho, pelo jornal britânico Guardian, que os EUA e a Grã-Bretanha mantêm programas secretos de vigilância eletrônica e telefônica. A denúncia foi feita com base em informações passadas por Snowden, ex-prestador de serviços da Agência de Segurança Nacional dos EUA, agora refugiado na Rússia.
Miranda passou nove horas detido no aeroporto londrino de Heathrow, no domingo, quando fazia uma conexão de Berlim para o Rio. Ele diz ter sido interrogado sobre as atividades jornalísticas de Greenwald, e obrigado a entregar aparelhos eletrônicos em seu poder.
O governo britânico enfrentou queixas judiciais e diplomáticas por causa dessa atitude, e também por causa dos relatos de que o Guardian teria sido pressionado por autoridades a destruir computadores que continham informações fornecidas por Snowden.
A ministra do Interior, Theresa May, disse que a polícia valeu-se de poderes conferidos pelas leis antiterrorismo, que autorizam medidas de segurança para impedir que dados furtados ajudem terroristas.
Anonymous
O grupo de hackers Anonymous invadiu ontem o site do distrito de Mole Valley, que fica a 43 km de Londres, e substituiu o conteúdo por uma mensagem de protesto em referência ao brasileiro David Miranda.
A mensagem do grupo de hackers, conhecido por derrubar sites ao protestar contra o que considera atentados à liberdade feitos por governos e corporações, era intitulada “O paradigma de Miranda”.
“David Miranda, cujo único crime era ser o marido de Glenn Greenwald que, por sua vez, cometeu o crime de fazer seu trabalho como um jornalista, foi interrogado sem a presença de um advogado, sem o direito de uma ligação e, inclusive, sem o direito de permanecer em silêncio”, escreveram os invasores.