Tribuna do Leitor

Opinião às avessas


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Zé Dirceu, réu condenado no processo do mensalão, está fazendo seu papel quando escreve maravilhas do governo Dilma. O ex-ministro da Casa Civil continua desqualificando o papel da mídia, enquanto tenta dar um colorido rosa ao governo Dilma dizendo que a presidente foi quem primeiro reagiu ao grito das ruas. Mas não foi bem assim que as coisas se deram. Com a popularidade em queda e a insatisfação das ruas voltando-se contra seu governo, a presidente Dilma Rousseff correu para oferecer respostas aos protestos, mas logo se viu forçada a recuar. As medidas lançadas acabaram deixadas de lado ou tiveram que ser revistas por causa das reações que provocaram. Não custa refrescar a memoria dos leitores que, graças à mídia, os assuntos foram todos publicados e discutidos à exaustão. Vejamos as propostas de Dilma. Mais médicos - a presidente pretendia ampliar em 2 anos a duração do curso de medicina. Recuou, essa ideia foi enterrada diante da reação da classe médica.

Constituinte - seria um plebiscito para orientar uma constituinte exclusiva para a reforma política. Em menos de 24 horas recuou e passou a defender apenas o plebiscito. Transexuais - o governo estabelecia novas regras para o acompanhamento de pessoas com transtornos de identidade de gênero e a realização da cirurgia de mudança de sexo no SUS. Houve reação dos grupos religiosos e em menos de 24 horas o governo suspendeu a medida. Orçamento impositivo - os congressistas querem tornar obrigatória a execução de emendas, hoje a distribuição do dinheiro é feita pelo governo como moeda de troca. A presidente foi obrigada a acionar aliados para negociar a votação. Trem-bala - Lula lançou a ideia em 2007 e deveria valer para a Copa, o leilão foi adiado 2 vezes, Dilma lançou uma terceira tentativa de leilão também fracassada. Novo recuo do governo.

Plebiscito - ganhou força quando Dilma foi obrigada a recuar de uma constituinte exclusiva. Pressionado, o governo teve que admitir que não conseguiria viabilizar um plebiscito a tempo de valer para 2014. Convém notar que no entender de José Dirceu a sua escrita está mais para o tempo em que se amarrava cachorro com linguiça. Quem paga a conta somos nós, os eleitores, reféns de um governo perdulário, que gasta muito, gasta mal e está deixando o país à deriva. Mais adiante veremos como o crescimento do país vai se comportar, os sinais estão sendo notados, menos investimentos, crescimento pífio, aumento do desemprego, da inflação e menos salário para incentivar o consumo. O ditado é sábio, contra fatos não há argumentos.

Izabel Avallone

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