Política

Assembleia decide greve na Emdurb

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Quioshi Goto

O Sindicato dos Servidores coordenou a assembleia de ontem com os funcionários

Em assembleia realizada na noite de ontem pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sinserm), aproximadamente 150 trabalhadores da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) confirmaram greve aprovada na semana passada. A paralisação está marcada para ter início na segunda-feira e poderá afeta serviços essenciais, como a coleta de lixo, capinação e varrição de vias públicas de Bauru.

O governo municipal contava com a possibilidade de recuo dos funcionários após a apresentação de melhorias ao Plano de Cargo, Carreiras e Salários (PCCS) proposto pelo órgão. Os benefícios, porém, não foram suficientes para conter os ânimos dos trabalhadores, apesar do esforço do comando do sindicato a fim de conter ou adiar a greve.

Diretora do Sinserm, Sonia Carvalho pontuou as conquistas da negociação encabeçada pela entidade. Idelma Corral propôs que o início da paralisação fosse adiado em uma semana para que novos avanços fossem pleiteados junto ao presidente da Emdurb, Nico Mondelli.

A dirigente sindical, no entanto, foi até criticada por grande número de trabalhadores que rejeitou a sugestão. A assembleia aprovou a deflagração de greve por unanimidade, não sem antes Idelma ponderar as dificuldades que serão enfrentadas pelos funcionários mobilizados.

“Greve não é para ficar em casa. Tem que estar junto, na luta. Precisamos lembrar que não temos todas as categorias representadas hoje [ontem]. O pessoal da área azul e do administrativo não veio”, pontuou.

A mobilização para a greve vai começar às 6h de segunda-feira, no pátio da coleta de lixo. “Precisamos de todos aqui para garantir que o serviço seja mantido em pelo menos 30% por ser essencial”, disse Idelma, referindo-se aos coletores e também aos coveiros.

Abono e promoção

A proposta de negociação apresentada ontem pela Emdurb ao sindicato previa pagamento de abono mensal, entre setembro e dezembro deste ano, no valor de R$ 80,00 para os funcionários que atuam em cargos que exigem apenas o ensino fundamental ou ainda no valor de R$ 50,00 para todos os trabalhadores, com exceção dos comissionados e dos que exercem cargos de diretoria.

A expectativa do sindicato é de que este abono fosse de, pelo menos, R$ 100,00 para todos os celetistas.

Em relação ao PCCS – principal ponto de reivindicação da categoria -, a Emdurb propôs garantir aumento de 8% a cada três anos mediante a apresentação de diplomas de aumento na escolaridade por conclusão de ensino fundamental, médio, superior, mestrado ou doutorado.

A proposta é semelhante à política adotada pela administração direta. A prefeitura aumenta em 15% o salário base dos servidores, considerando avanços na escolaridade a cada cinco anos. Inicialmente, o PCCS da Emdurb oferecia promoção por escolaridade de, no máximo, 2%.


Novos pedidos

A diretoria do Sinserm reconhece os avanços na proposta da Emdurb, mas sinalizou que vai reivindicar que os funcionários do órgão municipal tenham ganhos salariais imediatos, como aconteceu para grande parte dos servidores da prefeitura e do Departamento de Água e Esgoto (DAE), por meio dos Planos de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS).

De acordo com a dirigente sindical Idelma Corral, isso seria possível com o corte de mais cargos de livre nomeação. “Já vão ser eliminados 21. Se conseguirmos mais, o dinheiro que sobrará pode ser destinado aos salários dos trabalhadores”.

Em entrevista recente ao JC, o presidente Nico Mondelli declarou que o plano apresentado não tem como objetivo aumentar salários, mas sim,valorizar a carreira dos funcionários da Emdurb.

O Sinserm deve cobrar também a formalização do compromisso de Nico para que o PCCS entre em vigor até o dia 1 de janeiro de 2014. Incialmente, a Emdurb cogitava implantá-lo no mês de março, recuou para o primeiro mês do ano, mas não definiu o dia.

A diretoria do sindicato também reforçou a vontade de que o plano seja apreciado e votado pela Câmara Municipal para ganhar força de lei. Juridicamente, bastava um ato normativo da presidência do órgão. Mondelli, porém, já concordou com o envio de projeto para o Legislativo.


Prefeito quer negociar, mas já cogita contrato de emergência

Com muita preocupação, Rodrigo Agostinho (PMDB) recebeu, na noite de ontem, a notícia sobre a confirmação da greve. Conforme for a dimensão da paralisação, o prefeito cogita firmar contrato de emergência com empresa privada para garantir a manutenção da coleta de lixo.

“Ainda não sei quais são as medidas necessárias para que possa fazer isso, mas vou me informar. Não esperava que a greve fosse, de fato, deflagrada”, declarou ao Jornal da Cidade.

Segundo o prefeito, a proposta do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sinserm) em manter apenas 30% do serviço em nada resolve o problema que será ocasionado pela greve. Agostinho disse ainda esperar que haja boa vontade dos trabalhadores para negociar. “Fizemos uma proposta muito superior à capacidade da Emdurb. Aceitamos a questão dos cargos de confiança e oferecemos até abono até a implantação do PCCS”, argumentou.

Há coletores de lixo, de acordo com Rodrigo, que ganham valores próximos a R$ 1.500,00. “Eu queria pagar mais, mas não dá. Além disso, é um valor muito acima do praticado pelo mercado”.

O prefeito apontou ainda o receio de que, com custos inflados na folha de pagamento, a Emdurb se inviabilize financeiramente.

Apesar disso, há a expectativa de que o governo tente retomar as negociações hoje, inclusive, possivelmente, aumentando o valor do abono proposto ontem.

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