Cultura

Mistura brasileira

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 5 min

JC/Malavolta Jr.

Artista se apresenta nesta sexta-feria, na Sociedade Hípica

Dono de canções que ficaram cravadas na história da música brasileira, como “O Lencinho”, “Porta Aberta”, “Nossa Canção” e “República”, o cantor Luiz Ayrão é a próxima atração da Sociedade Hípica de Bauru e se apresenta nesta sexta, dia 30, a partir das 22h30. A abertura, às 21h30, contará com show da banda Plínio e Cia, que volta a se apresentar após o encerramento de Ayrão.

O JC Cultura falou com o artista, que revelou detalhes do show em Bauru. Mesmo com escritório em São Paulo, o cantor, compositor e escritor não perde o sotaque de carioca. Natural do Rio de Janeiro, é filho do músico e compositor Darcy Ayrão (1915–1955) e cresceu em ambiente musical.

Na casa de um tio, Juca de Azevedo, saxofonista, costumavam frequentar Pixinguinha e João da Baiana, que tocavam composições do maestro e professor Ayrão. Aos 20 anos, através de seu tio compositor, conheceu vários artistas de renome, entre eles, Ataulfo Alves, Humberto Teixeira, Osvaldo Santiago e Alcir Pires Vermelho. Posteriormente, formou-se em Direito e atuou durante alguns anos na profissão de advogado e procurador do BEG - Banco do Estado da Guanabara.

Mas a paixão pela música falou mais alto. Em 1963, Luiz Ayrão teve sua primeira composição gravada, “Só por Amor”, interpretada por Roberto Carlos, que logo depois também viria a gravar, no ano de 1966, “Nossa Canção”, considerado o primeiro sucesso romântico do cantor. Durante essa época, compôs várias músicas que foram gravadas por diversos artistas da Jovem Guarda. Participou de muitos programas de televisão do país, tendo gravado 40 discos, e ganhou diversos prêmios. Suas músicas o levaram a fazer shows em países da América Latina, Estados Unidos, Itália, França e Japão. E hoje, após 50 anos de carreira, e com 71 anos, Ayrão mantém agenda intensa de shows. Confira a entrevista:

JC: Do que se recorda dos shows já feitos em Bauru?

Ayrão: Gosto muito da cidade, e todas as vezes que estive por aí fui muito bem recebido. O público é muito carinhoso comigo!

JC: Sabemos que você tocará grandes sucessos que marcaram sua carreira, mas quais deles você destaca?

Ayrão: Bom, meu show é basicamente de música popular brasileira, não podem faltar os meus sucessos, tais como “Bola Dividida” – recentemente regravada pelo Diogo Nogueira e Zeca Baleiro; também canto “O Lencinho”, samba da década de 80 que fez muito sucesso; vou cantar “Ciúme de Você”, que é uma música minha lançada pelo Roberto Carlos e regravada por vários artistas; também está na lista “Nossa Canção”, que tem até versão em italiano, enfim... Vou cantar outros sambas de sucesso dedicados à Portela e as canções mais aplaudidas nos meus shows com certeza não vão faltar aí em Bauru. Ainda presto homenagem aos clássicos da MPB, como “Saudades da Amélia”, “Leva meu samba” e depois encerro – após mais de uma hora de show – com uma surpresa, uma música que promete surpreender o público.

JC: Como você analisa seu mais recente trabalho “Mistura Brasileira”?

Ayrão: De “Mistura Brasileira” vou apresentar em Bauru somente uma canção, que fiz pra Copa de 2014, chama-se “Garoto da Camisa Amarela”, que costuma agradar bem o público. Ao longo de 40 discos que gravei, passei por vários estilos: o samba romântico, de raiz, e nunca me fixei em um estilo só. Não só na maneira de compor, mas também no repertório, sempre fui muito eclético e nunca me neguei a gravar algo que fosse mais diferente. E nesse disco eu quis justamente mostrar isso, essa versatilidade como compositor, pois só virei um cantor de sucesso porque era um compositor de sucesso.

JC: É verdade que em uma parte do show você conta causos?

Ayrão: Quando faço o show em teatro sim, conto algumas coisas baseadas em um livro que lancei. Mas quando é um show pra este tipo de público que vou me apresentar, como em Bauru, que é um público que quer dançar e participar, aí eu não conto histórias não, porque se não quebra o clima. A não ser que eu tenha uma oportunidade, aí sim. Depende do clima!

JC: Com tanto tempo de carreira, você tem disposição invejável para continuar cantando. Como está sua agenda de shows atualmente?

Ayrão: Continuo na estrada e quero continuar ainda por muito tempo, queira Deus!

JC: Você algum dia já chegou a pensar em parar de cantar?

Ayrão: Acho que nenhum cantor para de cantar, a não ser por motivo de saúde. Um jogador de futebol, às vezes, para de jogar para um grande público, mas ele não deixa de ficar ligado ao futebol, jogar uma bolinha de vez em quando, ou passa a atuar como técnico e comentarista. O cantor também está sempre ligado à música. Enquanto tiver voz e força ele segue em frente, como estão aí Moacyr Franco, Agnaldo Rayol, Cauby Peixoto, mesmo com bastante idade, ainda estão cantando.

JC: Qual tipo de música você mais gosta de ouvir atualmente? Quais músicos chamam sua atenção hoje?

Ayrão: Hoje gosto muito do Zeca Baleiro. O que não gosto muito é desse negócio de funk. Até admiro a capacidade de articulação que eles têm, dos rappers, por exemplo, de fazer letras, mas não é muito a minha praia. Eu sou mais de poesia, música romântica, que toca o coração. Sou de outra geração, né? Mas hoje em dia o sucesso não vem só pelo talento, vem pelo investimento.

JC: Sendo um músico que vivenciou as várias fases da música brasileira, como você analisa atualmente o cenário musical brasileiro?

Ayrão: Hoje o público parece que é menos chegado em uma frase elaborada, mas há exceções. Às vezes, estou na rua, ou em qualquer outro lugar, e vem um rapaz de 18, 19 anos dizer que é meu fã e curte minhas músicas. Sempre há uma parcela de jovens que gosta de letras mais elaboradas e são mais sensíveis a este tipo de poesia e de letra.

  • Serviço

A Sociedade Hípica de Bauru fica na avenida José Henrique Ferraz, 7-15, no Jardim Ferraz. Os interessados poderão adquirir as mesas, com lugar para quatro pessoas, ao valor de R$ 260,00 (cadeira extra custa R$ 65,00), na secretaria da Hípica. Informações: (14) 3236-1255 e (14) 9651-5050

 

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