Tribuna do Leitor

A Redação de Paulo Carducci


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"O meu suor é o meu perfume". Isso é Paulo Carducci. Um misto de alegria primaveril com a personificação do deboche pela ironia cortante. Dias desses, a indesejável das ocorrências compareceu para subtraí-lo da nossa convivência. Paulo era um verdadeiro narrador observador dos fatos. A sua verve jornalística assim o permitia. Melhor, Paulo era também um narrador participante. Sim, sabia pontuar com os amigos as conquistas e as vulnerabilidades humanas. Fosse pau, fosse pedra, Paulo garantia, com seu humor efervescente, inexistir o fim do caminho. Sensibilizava-se com as injustiças contra o próximo.

Tive a oportunidade singular de trabalharmos juntos nos prestigiados colégio e faculdade Fênix. Bons tempos certificar-se de que fizemos parte de um time de docentes de conhecimento inigualável e de amizade inquebrantável. Eufônico e sonoro sermos concomitantemente "Conceito Máximo" e "Conceito Superior", como bem afirmava a mensagem publicitária.

Coerente com seus princípios, suas teses eram seus comportamentos verbalizados. Portador de um senso crítico apurado, Paulo sabia, com engenho e arte, ser a coruja do meio dia a repousar sobre o telhado dos nossos feudos, incomodando a confortável estabilidade íntima do particular raciocínio.


Curiosa hospedaria essa tal vida. Alguns chegam e trazem um pouco para nós. Outros, levam um pouco de nós. Dias desses, antes de sua partida, estivéramos juntos, conversando sobre a vida, redação, gramática, interpretação de texto e afins. Mal sabia que mais tarde, estaria na prática do futuro do pretérito do indicativo em comunhão com o pretérito imperfeito do subjuntivo, no exercício subjetivo da saudade. E se saudade é lembrança fraternal ficante, valeu o carinho da amizade.


Alexandre Albertini Benegas, professor de Língua Portuguesa

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