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Baixa em reservatório e rompimento de adutoras deixam até 170 mil sem água

Marcele Tonelli com Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 6 min

Três adutoras rompidas e um reservatório de distribuição com baixo nível de água provocaram transtornos a cerca de 170 mil bauruenses em menos de uma semana. Os problemas, que começaram no dia 28 de agosto e se sucederam até a noite de ontem, prejudicaram o abastecimento de quase metade da população em 25 bairros que abrangem praticamente todo o lado Oeste da cidade.

Todos os casos evidenciam a saturação da rede antiga de distribuição de água – com até 70 anos de uso em algumas áreas – que já não consegue oferecer qualidade para o abastecimento da cidade.

O transtorno mais recente foi registrado na noite de domingo, quando a equipe técnica do Departamento de Água e Esgoto (DAE) constatou o rompimento de uma adutora localizada na quadra 4 da rua Benedito de Abreu, no Jardim Nova Esperança.

Por conta da quebra, o abastecimento ficou prejudicado nos bairros Jardim Eldorado, Bauru 16, Vila Industrial, Jardim Prudência, Santa Filomena, Residencial Três Américas e Jardim Nova Esperança. Segundo a autarquia, o reparo foi providenciado ainda ontem e a distribuição de água deveria ser normalizada até a madrugada de hoje.

Outro problema que se agravou no final de semana e ainda permanece é o baixo nível de água do reservatório 9 de Julho, que abastece milhares de moradores do Fortunato Rocha Lima, Parque Jaraguá, Parque Santa Edwirges, Jardim Petrópolis, Parque Roosevelt, Jardim Progresso, Gerson França, Parque União, Jardim Rosa Branca e Jardim Vânia Maria.

A situação, conforme admite o próprio DAE, foi consequência de conserto paliativo realizado pela autarquia, em setembro do ano passado, após o rompimento do revestimento de aço do Poço Roosevelt 2, que abastece o reservatório. O conserto resultou na redução pela metade da vazão do poço – de 139 mil litros por hora para 76 mil litros.

E, nos últimos dias – quando as temperaturas chegaram a 32 graus e a umidade relativa do ar, a apenas 16,5% –, o elevado consumo de água derrubou o nível do reservatório para 1,1 metro de altura. Para que não ocorra o desabastecimento, é preciso que este nível esteja superior a 2 metros.

Coleção de baldes

Há 30 dias sem água na torneira das 8h às 24h, o comerciante Alex Sandro Cunha, 35 anos, mostra a coleção de baldes e um reservatório próprio que têm ajudado a contornar o problema na casa, localizada na quadra 6 da rua Luciano Avalone, no Jaraguá.

“É um verdadeiro esquema de guerra. Temos que ficar acordados e atentos de madrugada esperando a água voltar para encher todos os baldes. A pressão do ar na torneira chegou até a quebrar um copo esses dias”, comenta Cunha.

E a falta de água não é o único problema que vem tirando o sossego do comerciante. Mesmo com as torneiras secas, a conta de R$ 440,00 chama a atenção. “Esse valor é absurdo. É quase o dobro do valor que eu pago normalmente”, reclama.

No Jardim Vânia Maria, a cabeleireira Neide Alves contabilizava em quase R$ 1 mil os prejuízos que teve com seu salão de beleza ao cancelar o agendamento de clientes por falta de água.

“Isto está acontecendo desde sexta-feira. Estamos sem um pingo de água na torneira. É uma vergonha”, critica a mulher, que mora na mesma rua onde um caminhão-pipa do DAE afundou ontem.


60 dias

Por meio de nota, o DAE informou que o reservatório 9 de Julho recebe água dos poços Distrito, Jaraguá, Gasparini e Roosevelt e abastece dez bairros da cidade. A autarquia reconhece que o conserto paliativo diminuiu a vazão, mas reforça que a situação é agravada pelo forte calor que teria provocado aumento do consumo.

Ainda de acordo com o DAE, na próxima semana um novo poço no local será perfurado no Roosevelt, em substituição ao existente, com o intuito de ampliar a capacidade de abastecimento na região.

“Daqui a aproximadamente sete dias, a empresa Louis Engenharia e Perfurações Ltda., de Garça, vencedora do processo licitatório, deverá começar a perfurar o poço Roosevelt 3, que vai substituir o Roosevelt 2. A unidade terá vazão projetada de 200 metros cúbicos por hora e irá reforçar o abastecimento dos bairros citados”, afirma o DAE, por meio de nota. A obra, que custará R$ 1 milhão, deverá ser concluída em até 60 dias.


No buraco

Enviado ao Jardim Vânia Maria e adjacências, na manhã de ontem, para contornar o desabastecimento causado pelo baixo nível do reservatório 9 de Julho, um caminhão-pipa do DAE acabou caindo em uma cratera que se formou em meio à quadra 2 da rua Américo Bertoni.

“Enquanto a torneira está seca aqui, a água está jorrando na rua, no buraco onde caminhão do DAE afundou”, completa a cabeleireira Neide Alves, dona de um salão de beleza instalado no bairro.

Segundo a assessoria de imprensa do DAE, o asfalto cedeu por conta de um vazamento na rede de água, que foi consertado ainda ontem. O caminhão-pipa, após ser retirado do buraco, retomou o trabalho de distribuição de água na região.


Para hoje, previsão é de chuva

Após 41 dias de estiagem, deve voltar a chover em Bauru. Áreas de instabilidade que já provocavam chuvas na região Oeste do Estado, na noite de ontem, devem chegar à cidade, que permanecerá chuvosa ao menos até amanhã.

Para hoje, a tendência é de aumento gradativo da nebulosidade com chuvas isoladas e temperaturas oscilando entre 16 e 28 graus. Segundo o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, as temperaturas devem cair ainda mais amanhã, com aumento das condições de instabilidade.

Três adutoras rompem em uma semana

A estimativa é de que cerca de metade da população de Bauru tenha experimentado, nos últimos seis dias, o incômodo da falta de água em suas casas. Além de o reservatório 9 de Julho estar com baixo nível de água, três adutoras diferentes se romperam em menos de uma semana, prejudicando o abastecimento de água em 15 bairros.

No dia 28 de agosto, o DAE detectou o rompimento da adutora localizada na quadra 7 da rua Saldanha da Gama, Vila Falcão, que abastece as casas do Jardim Bela Vista, Vila Falcão, Vila Dutra, Leão 13, Vila Industrial e Val de Palmas. Dois dias depois, o transtorno aos moradores da Vila Lemos, Vila Quaggio, Parque União e Bela Vista foi provocado pelo rompimento da adutora que fica na quadra 3 da rua Primeiro de Maio, no Jardim Bela Vista.

“Estamos nos virando com a água da piscina desde o final de semana. Chega a ser constrangedor, até porque moramos a algumas quadras do poço artesiano”, afirma o corretor de imóveis Marcio de Andrade, 40 anos, morador da quadra 20 da rua Rui Barbosa, no Jardim Bela Vista. Na noite do último domingo, novo rompimento foi registrado, desta vez da adutora localizada na quadra 4 da rua Benedito de Abreu, Jardim Nova Esperança, responsável por abastecer sete bairros.

Em entrevista ao JC, o diretor da divisão técnica do DAE, Manuelino Câmara Filho, afirmou que a causa do problema estaria na tubulação antiga.

“As redes são feitas de fibrocimento e ferro e estão instaladas há 50 anos. Com a mudança brusca da temperatura elas acabam rompendo”, explica, confirmando que ao menos 25% das adutoras da cidade correm risco de romper por conta do problema. Para resolver de vez a situação, segundo ele, seria necessária a instalação de anéis elásticos nas adutoras.

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