Tribuna do Leitor

História esdrúxula no Bosque da Comunidade


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Estava eu no Bosque da Comunidade, lugar que eu gosto demais para fazer a minha atividade física preferida ao final das tardes. Desta vez, fui um pouquinho mais tarde, chegando lá exatamente às 17h45. Quando meu relógio marcava 18h45, perguntei gentilmente ao zelador, sr. Clovis, para me certificar se o Bosque ia fechar às 19h30, conforme a placa na entrada principal. Perguntei porque naquele momento notei que só havia eu e mais um casal no Bosque. A resposta foi que fecharia às 19h, o que achei estranho, pois a placa de aviso diz 19h30. Mas não questionei e continuei para completar a minha última volta com mais 5 minutos. Ou seja, às 18h50 terminei minha atividade e me dirigi ao portão de saída, que já estava trancado com cadeado, o que não estranhei, pensando: "o sr. Clovis trancou aqui, mas o portão da esquina da Araújo com a Vivaldo Guimarães certamente está aberto para os últimos frequentadores saírem". Dirigi-me pra lá e, para minha surpresa, estava trancado também.

Neste momento, me deparei com o casal tentando sair e comparamos nossos relógios, que indicavam 18h53. Comecei a chamar o sr. Clovis em vós alta, mas ninguém respondia. Desacreditando piamente que nós 3 estávamos ali, no Bosque da Comunidade, trancados, sem o zelador para nos abrir o portão, comecei a questionar: "Como assim???", o zelador foi embora, trancou o Bosque sem verificar se ainda tinha pessoas por ali, sem dar um aviso, sem nada, simplesmente trancou e foi embora? Deu um desespero no casal, e a moça começou a escalar o portão da rua Saint Martin, e depois de se enroscar toda nos arames farpados, conseguiu pular. O homem fez o mesmo. Nenhum deles se importou comigo, tamanha era a pressa deles de sair dali.

Ao ver-me sozinha do lado de dentro do Bosque, sem o meu celular, não me passou outra coisa na cabeça a não ser pular o portão também. Fiz a mesma trajetória da moça. Me enrosquei toda nos arames farpados, conseguindo me safar depois de rasgar minha calça do abrigo. Quando me vi já do outro lado, me soltei das grades e pulei na calçada, direto para a liberdade, mas, por infelicidade, o que me esperava abaixo dos meus pés foi uma sarjetinha em relevo bem rente ao portão, que me resultou numa torção do tornozelo esquerdo e na experiência de uma dor que nunca havia sentido na minha vida. Mas fiquei tão passada que só pensava em andar até meu carro e dirigir até minha casa, e foi o que fiz, não sei como, mas fiz. Sentia uma mistura de muita dor com muito ódio da situação e do zelador do Bosque, de quem já conhecia a fama de ser encrenqueiro e não gostar de pessoas que ficam no Bosque até ?tarde? (em conversa com pessoas que sabem algumas outras histórias esdrúxulas sobre ele). Fui levada ao Pronto-Atendimento, onde o Raio X não acusou fratura, ainda bem. Tomei injeção e fiz muita compressa de gelo.

Já liguei para o sr. Valter Jr, responsável pelo Bosque e pedi as providências cabíveis e o respeito aos frequentadores do Bosque da Comunidade. Por exemplo, tem que haver um sinal, como em muitos Parques e Praças em São Paulo e no exterior, onde os guardas apitam ou tocam sinos pra avisar o encerramento do dia.

Lilian Verge

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