O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, obteve ontem o apoio de dois importantes parlamentares republicanos para um ataque à Síria e anunciou ter um plano mais amplo para ajudar os rebeldes que combatem o regime de Bashar al-Assad. Obama, que havia surpreendido aliados e inimigos no Oriente Médio ao anunciar que adiaria um ataque até o fim do recesso parlamentar, se reuniu ontem com líderes parlamentares na Casa Branca para solicitar uma decisão e garantir que não pretende envolver o país em outra guerra prolongada, como as do Iraque e Afeganistão.
O presidente da Câmara dos Deputados, o republicano John Boehner, e o líder da maioria republicana na Câmara, Eric Cantor, saíram da reunião prometendo apoio a uma ação militar.
A Câmara e o Senado devem votar a autorização do uso da força na semana que vem. A votação na Câmara, onde a oposição republicana tem maioria, representa um desafio maior para Obama.
A liderança republicana na Câmara liberou cada deputado para votar conforme sua consciência, mas a recusa dos principais deputados republicanos em apoiar a iniciativa de Obama seria um golpe para o presidente. “Acredito que meus colegas deveriam apoiar esse chamado à ação”, disse Boehner a jornalistas.
O presidente disse que o objetivo dos eventuais ataques será punir Assad pelo uso de armas químicas, ao passo que outras ações dos EUA serviriam para reforçar os rebeldes, embora a Casa Branca tenha insistido não estar buscando uma “mudança de regime”. “O que estamos antevendo é algo limitado. É algo proporcional. Irá degradar as capacidades de Assad”, disse Obama. “Ao mesmo tempo, temos uma estratégia mais ampla que nos permitirá atualizar as
Ontem, o presidente da Comissão de Serviços Armados do Senado disse estar confiante, após conversar com Obama, de que os Estados Unidos intensificariam seu apoio a elementos “selecionados” da oposição síria.
O democrata Carl Levin disse ter sugerido à Casa Branca que os EUA forneçam aos rebeldes armas “que não possam ser usadas contra nós”, como armas antitanque.
Alguns parlamentares ainda consideram que a solicitação feita por Obama é vaga demais, sem restringir explicitamente, por exemplo, o uso de forças terrestres.
Em visita ao Congresso, o secretário de Estado, John Kerry, disse que “o presidente não tem nenhuma intenção” de colocar tropas dentro da Síria, mas que é preciso prever um cenário em que “a Síria implodisse” e fosse necessário proteger arsenais químicos contra terroristas.
Kerry apelou para que o Congresso não limite a autoridade dos EUA em uma eventual intervenção “para um momento específico”, dizendo que o Exército tinha mais opções caso o governo sírio volte a usar armas químicas no futuro.
ONU questiona legalidade de ataque
No mesmo dia, a Organização das Nações Unidas (ONU) apontou esse conflito, com 2 milhões de refugiados, como a maior ameaça à paz mundial desde a Guerra do Vietnã (1955-1975).
Aparentemente questionando a legalidade da eventual ação militar dos EUA, o secretário-geral da entidade, Ban Ki-moon, disse que o uso da força só é legal quando ocorre em defesa própria ou com a autorização do Conselho de Segurança da ONU.
A Rússia, principal aliada do governo sírio, há meses impede qualquer ação do Conselho de Segurança contra Assad. Ban disse que, se inspetores da ONU confirmarem o uso de armas químicas na Síria, o Conselho deveria superar suas divergências e agir.