Conforme as contas do secretário municipal do Meio Ambiente, Valcirlei Gonçalvez Silva, faltam recursos financeiros para a Semma. De acordo com o secretário, os serviços da Emdurb consomem aproximadamente R$ 18 milhões do orçamento da Semma, anualmente. Enquanto isso, para outros serviços e manutenção da secretaria restam R$ 1 milhão, segundo ele insuficientes para uma melhora significativa na atuação da secretaria.
Silva esclarece que, do orçamento da Semma, 99% vai para a Emdurb cuidar do lixo. O 1% restante é destinado a outras demandas e para suprir toda a estrutura da Semma. “Para dar conta de tudo precisaríamos dobrar nosso efetivo de 150 para 300 pessoas e possuir ao menos R$ 3 milhões em caixa”, revela.
Questionado sobre o assunto, o prefeito Rodrigo Agostinho aponta que o problema do lixo tem sido preocupação para todas as cidades e que estuda, junto à Emdurb, a abertura de licitação para chamar empresas que estejam dispostas a receber o excedente que vai para o aterro.
“Vinte empresas trabalham com isso em Bauru, temos expectativa que alguma se interesse. Tivemos um avanço considerável com a Emdurb, mas a destinação final e separação ainda são um gargalo”, afirma o prefeito. “A cidade tem destinado milhões e milhões para o lixo, eu não acho pouco”, fecha questão.
Em maio deste ano, a coleta seletiva, antes responsabilidade exclusiva da Semma, passou para a Emdurb, que também cuida de outros serviços, como a destinação da coleta de lixo orgânico, coleta de lixo hospitalar, pintura de guias, capinação, varrição e limpeza pública em geral.
Emdurb
A Emdurb, por sua vez, alega que os recicláveis vão para o aterro devido à falta de seleção dos rejeitos pela população. “Ao misturar o material orgânico ao reciclável, a separação fica inviável por causa da contaminação e o material, ao passar pela cooperativa, acaba descartado”, afirma a Emdurb, por meio de sua assessoria de imprensa.
Ao mesmo tempo, a própria empresa admite ainda não ter conseguido ampliar os serviços de coleta seletiva de 80% para 100% dos bairros. Ainda assim, a Emdurb ressalta que promove campanhas junto à população, incentivando a separação adequada dos resíduos no momento do descarte.
Questionada sobre o quanto seria necessário para resolver de vez o problema, a empresa informou que tem utilizado sua receita de superávit financeiro anual para investir em melhorias, mas que para atender a limpeza urbana geral e de fato, seria necessário, conforme estudos, a destinação de 7% do orçamento público.
Lixarada
Para agravar ainda mais a situação, parte da população também parece desprezar o valor financeiro e ambiental oriundo do reaproveitamento de materiais recicláveis.
Em um passeio rápido pela cidade, o JC flagrou alguns exemplos de pontos onde o descarte indiscriminado de lixo transformou algumas ruas e terrenos em problemas crônicos em Bauru.
Basta realizar a limpeza, para que uma nova “desova” de entulhos e lixos aconteça às margens da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (a Bauru-Marília), na altura do bairro Fortunato Rocha Lima, e nas imediações da lagoa do Quinta da Bela Olinda.