É o seguinte, no singelo e sábio simplismo: a vida se divide em prós e contras. O problema é que a alegria mais frequente dos prós quase sempre é menos intensa do que as eventuais dores dos contras.
Em outras palavras: dificilmente sofremos um nocaute total. São mais os costumeiros golpes na linha de cintura que vão minando forças, desafiando o querer da reação.
Nada de auto ou ajuda: estou falando de reflexão sem piloto automático, de lúdica verdade. Envolve vida ? nosso bem supremo, muito bem real. Melhor pensar nela mesmo, com todos os seus muitos "prós" bem-vindos - e alguns "contras" resistentes.
Uma simpática convicção desponta: há um tripé comportamental que colabora muito para melhorar esse negócio de "dia após dia". Um tripé formado por três "ãos": gratidão, motivação e um outro que convido você, eventual e generoso leitor, a acrescentar. A gosto.
Vejam que poder: gratidão. Se acordamos gratos pelo que há de vir (e minimamente satisfeitos pelo que passou), as chances de carrancudos desânimos assombrarem nossas preciosas horas ficam mais acanhadas. Não defendo fugas, escapismos ou alienações. Apenas ser agradecido. Por que não?
Sobre motivação, bem, tire-a da vida e veja a vida murchar, murchar... Cadê?...
A motivação é a mão aberta e ligeira que apaga o ostracismo. É a voz firme que grita: "Vai!". Melhor ir, então.
Uma fábrica de cervejas já percebeu o poder do "ão". Há, de fato, uma vibração construtiva nisso.
Não resisto, não: o meu terceiro é a inspiração. A parte subjetiva da coisa toda. A luz, o brilho, leveza. Inspiração. A retina dos apaixonados, o tempero das voluntárias, o retoque do artesão.
Sugestão: não baixe a guarda aos caprichos dos "contras". Estenda os braços aos alívios dos "prós". Bote um pouco de sonho nisso tudo para motivar e inspirar acontecimentos que daqui a pouco, quem sabe hoje mesmo, hão de merecer uma novíssima gratidão.
João Pedro Feza é editor executivo do JC