Cultura

Reforma pró-cultura

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 5 min

Quioshi Goto

Desde que foi instalada em Bauru, Oficina Cultural sempre foi palco de grandes apresentações, como “A bruxinha que era boa”, da Cia. Mandrágora, em outubro de 2008

As atividades culturais e artísticas desenvolvidas na Oficina Cultural Regional Glauco Pinto de Moraes, de Bauru vão ganhar novo impulso. Isso porque o prédio que abriga as ações culturais vai passar por ampla reforma. A promessa é a garantia de melhores instalações e mais equipamentos para a realização de workshops, apresentações, eventos etc.

A grande reforma, anunciada ontem pelo governador Geraldo Alckmin, tem custo calculado em torno de R$ 4 milhões. Conforme divulgou a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Cultura, a obra inclui reforma do telhado e das instalações elétricas e hidrossanitárias, melhoria do solo, reparo das rachaduras, novos revestimentos e a proteção da edificação das raízes das árvores, além da implementação de um elevador e de rampas, escadas e sanitários acessíveis.

O coordenador da Oficina Cultural em Bauru, Paulo Rogério Pereira, dá outros detalhes. “Teremos salas próprias para aulas de música e dança. Nosso auditório ainda passará a ser fechado e acústico, o que vai melhorar a qualidade das apresentações. E ainda receberemos um palco móvel para ser montado na área externa. Assim podemos promover pequenos espetáculos teatrais, dentre outros eventos. Quando a gente precisava de um palco, emprestávamos da USC”, informou ele, que estava ontem em São Paulo justamente para tratar do assunto.

Paulo Pereira ainda garantiu que o prédio ganhará rampas e elevador, além de pintura nova. As melhorias vão fortalecer o papel da Oficina Cultural e ainda reforçar a possibilidade do espaço receber mais tipos de atividades.

“Toda essa reforma vai acabar atraindo mais público. As pessoas gostam de novidades e essas mudanças vão chamar a atenção”, ressalta o coordenador. “A gente sofre com a estrutural. Temos vontade de fazer muita coisa na Oficina, e recebemos sempre artistas de renome, mas não temos estrutura adequada para realizarmos algumas ações”, explica.

Além de Bauru, outras oficinas do Estado de São Paulo também receberão obras. O investimento foi anunciado pelo governador Geraldo Alckmin nesta segunda-feira e totaliza R$ 22 milhões em obras de restauro e reforma em cinco edificações de grande relevância cultural para o Estado: as Oficinas Culturais Amácio Mazzaropi (São Paulo), Gerson de Abreu (Iguape), Grande Otelo (Sorocaba), Glauco Pinto de Morais (Bauru) e Pagu (Santos). O investimento será feito por meio da Secretaria de Estado da Cultura, que gerencia as oficinas. A iniciativa integra as políticas de preservação do patrimônio cultural paulista.


Prédio temporário

As licitações para contratação das obras devem ser realizadas até o final deste ano e a expectativa é de que os serviços se iniciem no começo de 2014. Os prazos de conclusão variam entre 15 e 18 meses, inicialmente.

Paulo Rogério Pereira esclarece que a programação da Oficina Cultural de Bauru não será prejudicada, mas terá que ser deslocada para outro edifício enquanto a reforma acontecer. O imóvel que abrigará as atividades temporariamente ainda não foi definido, mas será em uma localidade central da cidade, conforme garantiu.

 

Serviço

A Oficina Cultural Glauco Pinto de Moraes atende de terça a sexta-feira, das 13h às 22h, e aos sábados, das 9h às 18h. Há oficinas para todos os gostos e tipos de públicos. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas diretamente na sede da Oficina Cultural. As vagas são limitadas. A Oficina Cultural fica na rua Amazonas, 1-41. Fone: (14) 3231-1100.


Oficinas Culturais

As Oficinas Culturais do Estado são equipamentos de formação cultural que têm como principal objetivo oferecer à população em geral o contato com o fazer artístico, capacitar pessoas que trabalham diretamente com cultura e colaborar para a pesquisa e experimentação de diversas linguagens artísticas. São 21 oficinas em todo o estado, sendo seis na capital e as demais no interior e litoral. Com cursos e workshops abertos a toda a população, além de projetos em rede que beneficiam cidades no entorno das sedes, as oficinas atenderam cerca de 90 mil pessoas no ano passado.


A primeira

Bauru recebeu a primeira oficina do Interior do Estado, em 5 de junho de 1990. Leva o nome do artista plástico Glauco Pinto de Moraes. Tem dez salas de aulas, laboratório de fotografia e de serigrafia, auditório com piano, teatro-galpão e espaço para exposições.

A Oficina Cultural Regional Glauco Pinto de Moraes mantém uma intensa programação de oficinas, workshops e palestras, além de possibilitar apoio ao meio cultural, por meio da cessão de espaço para a realização de ensaios, audições e estudos.

Em agosto de 1998, foi aberta ao público a Sala de Memória Cultural “João Correia das Neves”. Nela estão reunidos todos os projetos já desenvolvidos pela Oficina desde 1990. Além da instalação de hemeroteca com publicações da área cultural, acervo de fotografias e coleção de partituras musicais para bandas.


Quem foi Glauco Pinto de Moraes

O artista plástico Glauco Pinto de Moraes nasceu em Passo Fundo (RS), em 1928. Começou a expor individualmente, em 1968. A partir da década de 70, começou a integrar regularmente diversas exposições coletivas, entre as quais as Bienais de São Paulo de 1975 e 1979, e várias edições do Panorama da Arte Brasileira do MAM – SP, entre 1976 e 1986.

No exterior, participou de mostras importantes no Uruguai, no Japão e na Bélgica, e recebeu Sala Especial na II Bienal de Havana, em 1986. Artista sempre bem recebido pela crítica, sua série “Locomotivas” tornou-se o seu trabalho mais conhecido. Em fevereiro de 1989, começou a trabalhar na Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, onde era responsável pela Assessoria Especial de Artes Plásticas. Foi também vice-presidente do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado, presidente da Associação Profissional de Artes Plásticas de São Paulo e membro do Conselho Administrativo da Bienal Internacional de São Paulo. Faleceu no dia 5 de maio de 1990.

Comentários

Comentários