Os governos dos EUA e da Rússia anunciaram ontem a abertura de negociação para tentar acabar com a guerra civil entre o regime do ditador sírio Bashar al-Assad e as forças de oposição.
É o segundo movimento político conjunto das duas potências nesta semana em torno do conflito na Síria, que se estende desde 2011.
Desde ontem, o secretário de Estado americano, John Kerry, e o chanceler russo, Sergei Lavrov, discutem em Genebra (Suíça) uma saída para Assad entregar suas armas químicas que evite uma intervenção militar no país.
Ontem, Kerry e Lavrov informaram que, além da questão das armas, abriu-se também um debate sobre uma conferência de paz na Síria, provavelmente a partir da próxima Assembleia Geral da ONU, em Nova York, no fim deste mês.
A reunião de ontem contou com a presença de Lakhdar Brahimi, enviado especial da ONU à Síria. Recente relatório do órgão apontou massacres, crimes de guerras e violações às leis internacionais pelos dois lados do conflito.
Kerry afirmou em Genebra que EUA e Rússia estão “comprometidos com uma solução negociada” para o país árabe. Entretanto, deixou claro que qualquer caminho para a paz dependerá, para os EUA, de uma solução imediata em relação ao arsenal químico.
Os americanos acusam o regime de Bashar al-Assad de ter usado gás sarin para matar pelo menos 1.429 civis.
Os EUA querem que Assad entregue imediatamente seu material para a comunidade internacional, sob a condição de sofrer sanções.
“Qualquer acordo precisa ser verificável e obrigatório”, declarou ontem o presidente Barack Obama, reforçando a posição americana.
O ditador sírio, porém, discorda das condições e diz que pretende fazer isso somente um mês depois de oficializar a entrada do seu país no tratado internacional que proíbe a produção e o armazenamento de arma química.
Relatório
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou ontem que o relatório de inspetores do órgão confirmará o uso de armas químicas em um ataque nos arredores de Damasco, no dia 21 de agosto.
A previsão é que o documento seja divulgado na semana que vem. “Acredito que o relatório será um relato esmagador de que as armas químicas foram usadas”, disse.
Ele acusou o regime de Assad de cometer “vários crimes contra a humanidade”, mas não quis apontar se o ditador foi o responsável pelo uso de gás químico para matar civis no ataque de agosto, como acusam os EUA.
A expectativa é que o relatório da ONU não aponte culpados pelo episódio, no qual Assad nega envolvimento.
Armas químicas
O regime do ditador sírio Bashar al-Assad tem espalhado seu arsenal de armas químicas por cerca de 50 lugares ao redor do país, de acordo com o “Wall Street Journal”.
Segundo a publicação, que cita fontes nos EUA e no Oriente Médio, um grupo militar secreto conhecido como Unidade 450 tem movimentado os estoques para evitar sua detecção.
A Síria, a partir de esforços de mediação da Rússia, tem sinalizado estar disposta a permitir a inspeção de seu arsenal.
Há descrença, porém, em relação às reais intenções de Damasco e à viabilidade de se inspecionar e destruir essas armas. “Hoje sabemos muito menos do que sabíamos há seis meses sobre onde estão as armas químicas”, afirmou uma das fontes ouvidas pelo jornal.
Antes, os agentes químicos eram tradicionalmente mantidos no oeste do país.