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Novos partidos

Gerson Vasconcelos Luz
| Tempo de leitura: 3 min

Marina Silva, que já esteve vinculada ao Partido dos Trabalhadores (PT) entre 1986 e 2009 e ao Partido Verde (PV) no período de 2009 a 2011, está em vias de formar uma nova legenda: a Rede Sustentabilidade (Rede). Mas o projeto só poderá virar partido se conseguir 500 mil assinaturas (o prazo está expirando). De olho nas eleições de 2014, a Rede corre contra o tempo. Rede Sustentabilidade, um nome diferente, atípico. Sequer menciona a expressão "partido". Para os desavisados, pode parecer se tratar de uma ONG voltada para a defesa do meio ambiente.

A aspirante a legenda política traz referências obvias da trajetória da acreana Marina Silva. É bom lembrar que além de outros cargos que ocupou no poder legislativo, foi Senadora (1995-2011) pelo Acre, um dos estados da famigerada região amazônica. Também foi ministra do Meio Ambiente (2003-2011) no Governo Lula. E, diga-se de passagem, com um discurso ecológico, obteve uma invejável terceira colocação entre nove candidatos que disputaram as eleições de 2010 para o cargo de presidente da República. É preciso reconhecer, foram números expressivos: 19.636.359 votos válidos em todo o território nacional. Força verde!

Associar o nome do partido à trajetória de uma pessoa pode ser uma boa estratégia de marketing político. Mas, no caso em questão, parece abrir margem para questionamentos óbvios do tipo: trata-se de um partido de um homem (no caso, uma mulher) só? Bem, a princípio, com tantas bandeiras e referências levantadas em torno da Rede e de Marina Silva, é o que aparenta. Mas, sem dúvida, pode ser mero equívoco. Leitura apressada. Não nos precipitemos. Ainda é muito cedo. O projeto de partido ainda precisa recolher mais assinaturas e o prazo está expirando.

Além da Rede, outro nome surge como novo partido e se intitula Solidariedade. Outro nome atípico entre as siglas partidárias brasileiras. Articulado por Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (PDT-SP), a novíssima legenda, ligada às centrais sindicais, está prestes a obter seu registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), uma vez que já obteve as 500 mil assinaturas necessárias.

Outro partido com nomenclatura diferente, embora não tão atípica como os supracitados, é o PEN ? Partido Ecológico Nacional. Este já obteve o registro definitivo no TSE no ano passado. Presidido por Adilson Barroso, a legenda hasteai a bandeira ambientalista. Ao que tudo indica o discurso ecológico de Marina Silva na campanha eleitoral de 2010 não passou despercebido no cenário político.

Ao que parece, há uma mudança no ar. Pelo menos em termos de nomenclatura partidária. São nomes mais preocupados com discursos ou causas gerais que defendem, como a ecologia, solidariedade. Mudar é preciso. Mas ? principalmente ? é preciso mudar o pensamento político dos nossos tempos. Diante disso, é preciso perguntar, o que essas novas legendas propõe aos brasileiros?

O que trazem realmente de novo e de bom do ponto de vista político? São questões que não podem passar despercebidas. Outra pergunta que não pode calar, é necessária a existência de tantas legendas partidárias? Há 30 partidos registrados no TSE.

O autor, Gerson Vasconcelos Luz, é professor de Filosofia

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