O edifício Brasil-Portugal é vizinho da praça do Líbano, que fica na avenida Nações Unidas, onde está o edifício das Américas, na quadra 17. Bauru se acostumou a batizar seus logradouros com denominações de cidades de outros países, Estados e municípios brasileiros.
A região da Vila Cardia-Alto Higienópolis homenageia Estados e municípios. No Jardim Terra Branca, países são a referência das ruas.
As praças Itália e Espanha são interligadas pelos viadutos Mauá e Nove de Julho (Nuno de Assis). Portugal volta em nome de praça, localizada na zona sul.
A edição do JC nos Bairros desta semana faz um passeio mapeando o País e parte do mundo homenageados em placas estampadas nas esquinas de Bauru. Acompanhe nas páginas a seguir.
Américas dentro de Bauru
Ruas dos Jardim Terra Branca são batizadas com nomes de países do continente americano
As ruas do Jardim Terra Branca receberam nomes de países das Américas: do Sul, Central e Norte. Venezuela, Guatemala, Colômbia, Equador, Peru, Paraguai, Uruguai, Bolívia e Guatemala são entrecortadas por Brasil, Estados Unidos, Travessa Haiti, Canadá, Panamá, México, Argentina, Alaska, Patagônia, Cuba e Chile.
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Fotos: Éder Azevedo |
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No Jardim Terra Branca, a quadra 11 da rua Venezuela se encontra com a quadra 6 da rua México, onde Bauru homenageia América do Sul e do Norte |
A funcionária do setor público Taís Fermino já residiu nas imediações do bairro, porém, agora mora no Centro. Ela entende que se deveria valorizar nomes de pessoas da comunidade ao invés de nomear as ruas com nomes de países. “Tem gente que gostaria de homenagear parentes. Deveria valorizar a história do município”, pontua.
Para o biomédico Paulo Henrique, não há problema com os nomes das ruas do Jardim Terra Branca. Ele cresceu no Jardim Bela Vista. Já residiu em Brasília (DF), onde as ruas recebem nomes como Asa Norte, respeitando os pontos cardeais. Paulo também residiu em Palmas, Tocantins, onde também se localizam as vias pelos pontos cardeais.
Ele considera que, no caso das ruas do Terra Branca, não há dificuldade. “O ser humano se adapta em qualquer lugar”, finaliza.
Ruas do ‘Brasil bauruense’
No Alto Higienópolis, a rua Maranhão, designação de um Estado, corta a rua Belém, nome da capital do Pará, na região norte do Brasil. A rua Belém pertence ao Alto Higienópolis. Já a Maranhão, à Vila Cardia. Pelo menos é o que informam as placas das ruas distantes cerca de 15 metros uma da outra.
As avenidas Rodrigues Alves e Cruzeiro do Sul são cortadas e seguem paralelas a vias que fazem alusão aos Estados brasileiros. Na Vila Carolina, região do que se convenciona denominar como Cardia, a rua Pernambuco encontra a Rio Grande do Sul. Paraná com Alagoas e também com Espírito Santo. No Parque São Jorge, também na Cardia, a quadra 6 da rua Alagoas se encontra com a quadra 10 da rua Minas Gerais.
Homenagens
O Jardim Terra Branca é um loteamento anterior à legislação que atribui denominação de vias ao Legislativo bauruense. O historiador bauruense Irineu Azevedo Bastos lembra que o bairro foi loteado pela família Ferraz. Na época, a denominação ficava a critério do prefeito sem necessidade de análise da Câmara.
A professora e pesquisadora da história de Bauru Márcia Regina Nava Sobreira lembra que as vias do Centro de Bauru receberam denominação dos pioneiros da cidade e fazem referência a importantes datas, como a rua XV de Novembro, 7 de Setembro, Primeiro de Agosto. Neste período, as pessoas que emprestaram seus nomes às vias centrais tinham importância histórica e política para o desenvolvimento inicial do município, como políticos e fazendeiros. Pessoas de prestígio nacional e internacional também foram homenageadas, como Francisco Alves, o poeta Olavo Bilac e o ex-presidente dos Estados Unidos John Kennedy, nomes de ruas centrais.
Mas o crescimento da cidade interferiu no nome das ruas. Nava explica que, geralmente, o loteador indica a denominação de sua preferência para bairro e ruas. Ela exemplifica com a denominação do Parque Vista Alegre, em que as vias são batizadas com nomes de flores.
Povo
A partir das décadas de 80 e 90, Nava cita que a tendência foi indicar nomes de cidadãos com contribuição para a história da cidade, mas que não desfrutam de projeção nacional e internacional. Ela cita que o nome de seu avô denomina a travessa Sebastião Arantes, na Quinta da Bela Olinda. A neta conta que Sebastião Arantes foi um ferroviário com mais de 30 anos dedicados à ferrovia.
“Começou a homenagear pessoas mais ligadas ao povo que também fazem história contribuindo muito para a construção da cidade”, ressalta.
O que faz a Câmara
É atribuição do vereador apresentar projeto de decreto legislativo que denomina o logradouro. Porém, o encaminhamento é da Prefeitura de Bauru, que indica as ruas que precisam de denominação a partir de uma minuta definida pela Divisão de Cadastro da Secretaria de Planejamento (Seplan). Só se pode dar nome de rua a pessoas que já tenham falecido.
Esquina do mundo
Praça no encontro da Rodrigues com Nações Unidas homenageia colônia libanesa em Bauru
Vale correr o risco de apontar a esquina das avenidas Rodrigues Alves com Nações Unidas como a mais emblemática para se entender Bauru. Ali está o edifício Brasil-Portugal, voltado do seu jeito especial também para a praça República do Líbano. A placa da praça identifica o lugar como pertencente ao bairro Alto Higienópolis, ainda que esteja em uma baixada e mais próxima da região central de Bauru.
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Entregue em 1971, a praça do Líbano é ponto de encontro para lanches e para quem aguarda ônibus |
O lugar é ponto de embarque e desembarque de gente que vem de fora fazer a vida em Bauru.
Foi para homenagear a colônia libanesa na cidade que no governo do prefeito Alcides Franciscato, em 1971, criou-se a praça República do Líbano. Em 1990, a praça passou por uma reurbanização.
Praça do Líbano também está estampada na fronte dos coletivos que circulam por Bauru. Ela cedeu seu nome para linhas de ônibus Praça do Líbano-Parque Real, da empresa Baurutrans, e Praça do Líbano-Parque das Nações, da Grande Bauru.
Praças internacionais
As praças de Bauru também homenageiam países. A referência mais habitual é com importantes colônias como a italiana, portuguesa, espanhola e japonesa. As praças Itália e Espanha nem sempre são identificadas como praças. Contudo, são vizinhas. No final da avenida Pedro de Toledo chega-se à praça Itália.
O desenho das praças dá aspecto de que ali estão rotatórias, e não praças. Ambas possuem chafariz. A placa da praça Itália indica Centro da cidade. A tabuleta da praça Espanha relaciona o lugar ao bairro Vila Pacífico.
O comerciante Sérgio Aparecido Beraldo tem ponto comercial há 18 anos nas imediações da praça Espanha. Ele sugere que um jardim substitua o chafariz no meio da praça e que no momento está desativado. Sérgio gosta muito do lugar mas gostaria que os cuidados com a praça fossem mais constantes.
A zona sul homenageia a colônia portuguesa com a praça Portugal. Próximo dali, há também a rua Luso-brasileira ponto que já abrigou a sede da Associação Luso Brasileira de Bauru (ALBB), atualmente localizada no quilômetro 336 da rodovia Marechal Rondon (SP-300).
Japão
No Jardim Eugênia, região do Jardim Terra Branca, a praça Kasato Maru homenageia o centenário da imigração japonesa no Brasil. A população recebeu a praça em 2009 com área aproximada de 7,2 mil metros quadrados na quadra 17 da rua Patagônia, confluência com as ruas Paraguai e Alaska.
Viadutos entre dois países
Em Bauru, a Espanha é ligada à Itália pelos viadutos Mauá e Nuno de Assis (Nove de Julho), dois dos mais importantes e movimentados da cidade. Os viadutos cumprem a função viária de ligar o Centro aos bairros localizados na zona oeste de Bauru, entre eles a Vila Falcão.
O viaduto Mauá é o mais antigo da cidade: foi construído entre 1948 e 1951 pelo então prefeito Octávio Pinheiro Brisolla, que tinha o objetivo de facilitar o acesso de quem mora na Zona Oeste, especialmente na Vila Falcão, ao Centro. Já o viaduto Nuno de Assis foi construído entre 1969 e 1973 pelo ex-prefeito Alcides Franciscato e corresponde à segunda alça da obra, que cumpre o sentido Centro-Bairro.
Em 2008, às vésperas de completar 60 anos, o viaduto Mauá foi interditado pela primeira vez para reforma. A determinação partiu do Ministério Público após identificar problemas estruturais na obra. Em abril do ano passado, após a longa reforma, a pista foi reaberta.

