Dos anos 1950 para cá, a expectativa de vida no Brasil aumentou muito - cerca de vinte anos. A natalidade também caiu, o que resultou em menos jovens em idade produtiva e mais idosos, dos quais dependem da previdência pública em sua maioria. Para qualquer país, isso gera um buraco nas finanças; mas no Brasil também gera desrespeito e ressentimento quanto aos velhos.
Na maioria dos países do mundo, o idoso é respeitado e admirado pela conquista e honra de ter sobrevivido durante tanto tempo. Na África, ver uma pessoa idosa e ser rude ao interagir com ela é não apenas um desrespeito à pessoa, mas à vida em si. No Japão, o idoso é respeitado como uma parte atuante da população, com sua família acolhendo-o e considerando seus conselhos até sua morte.
No entanto, no nosso país o idoso não é só desrespeitado, mas também desprezado. Não é raro ver a grosseria de atendentes de lojas e recepções com a lentidão natural da terceira idade; os jovens não têm paciência e culpam os velhos pelo grande gasto público que geram, pensando no investimento atual que precisa ser feito para a fase adulta da vida, e se esquecem que, um dia, eles também serão idosos, e que todos os investimentos gerontológicos feitos agora, tanto os estruturais quanto os relativos à saúde, serão úteis para ele também.
Os idosos precisam de atenção, paciência e amor da família, e não da grosseria que o jovem brasileiro lhe impõe. A terceira idade não pode ficar parada, sedentária, assistindo solitariamente à televisão; precisa de convivência comunitária, de dignidade, respeito, espaços que eles também possam frequentar com alegria e acessibilidade.
É preciso, sim, investir na saúde gerontológica, uma melhor providência e acessibilidade geral; mas também é necessária uma mudança de ponto de vista por parte da juventude brasileira, para que ela possa tratar seus idosos com o respeito devido e valorizá-los, e não culpá-los pela falta de recursos do Brasil."
Liz Marina Tamião Santana - estudante