Regional

Casa de prefeito sofre atentado à bomba

Aurélio Alonso com Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

Uma bomba caseira feita com garrafa preenchida com gasolina e pavio na ponta, o chamado coquetel Molotov, foi atirada na garagem da casa do prefeito de Ipaussu (122 quilômetros de Bauru), Luiz Carlos Souto, na madrugada de terça-feira. O fogo atingiu a traseira de um Gol e parte do forro de PVC da garagem. A Polícia Civil tenta identificar o autor do atentado com base nas imagens de um circuito interno.

Por volta das 3h15, um homem com rosto coberto montado em uma bicicleta passou na frente da residência e levava uma sacola. Na hora que ocorreu o incêndio provocado pela bomba caseira, o prefeito estava na residência com sua mãe, Osmir da Glória Souto, de 64 anos.

Ele acordou com o barulho da garrafa estourando na traseira do veículo. “Acordei com a explosão, mas não podia sair. A fumaça estava entrando dentro da casa”, contou. A garagem fica próxima à rua. Souto estava no quarto do fundo. “Ao notar o fogo na parte da frente da casa, chamei a polícia. Ela chegou rápido, cerca de oito minutos, mas não dava para sair por causa da fumaça”, relata o prefeito sobre os momentos de tensão que enfrentou na madrugada. Os policiais apagaram as chamas com extintor e com mangueira de água da própria residência. “Foi sorte que não atingiu o tanque de combustível do carro”, relata Souto.

A mãe dormia no quarto da frente e teve um choque com o barulho. “Ela está à base de calmante, ficou muito assustada”, declarou.

O prefeito admite que pode ser possível retaliação de alguma pessoa contrariada com algum ato de sua administração, mas descarta que partiu de opositores políticos.

Ele admite que cortou horas extras indevidas e teve que desativar um lanchódromo próximo ao lago para executar obras antienchente. “O prefeito toma algumas atitudes que ganha 10 amigos, mas pode conquistar dois novos inimigos políticos. Não sei se isso levaria uma pessoa a tentar pôr fogo na minha casa”, declarou.

Souto relatou que há dois meses registrou boletim de ocorrência por ter sofrido ameaça de um funcionário. Descontente por retornar ao cargo antigo, o servidor teria revelado a uma médica que “ia matar o prefeito”. “Descartamos esse caso, porque a pessoa passou por tratamento psicológico”, declarou. Souto já foi vereador e está no segundo mandato no Executivo.


Caso emblemático em Bauru

No início de 1999, Bauru viveu dias de pânico e de instabilidade política e o coquetel molotov foi utilizado como instrumento da “milícia” contratada pelo então prefeito Antonio Izzo Filho para assustar vereadores e familiares.

Conforme processo investigativo e judicial da época, vereadores oposicionistas ou que passaram a criticar o esquema de cobrança de propina instalado no governo municipal sofreram atentados a bomba. Foram 11 atentados com uso do coquetel ou a tiros.

As vítimas eram surpreendidas com o dispositivo em garrafas preenchidas com material explosivo misturado a gasolina. Os contratados realizaram os atentados à noite, em geral jogando o molotov contra as residências dos agentes públicos.

Foram ações seguidas contra diversas residências de vereadores. O episódio, conhecido como “atentados à bomba” levou à identificação dos malfeitores contratados, conforme decisão judicial, sob a ordem do então prefeito.

 

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