Tribuna do Leitor

Quando a gente gosta...


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Quando a gente gosta, qualquer grande problema parece coisa pequena. Qualquer adeus até a esquina parece 1.000 km de distância. Quando a gente gosta, a gente não desiste fácil. Engole o orgulho, o medo, a raiva. Quando a gente gosta, os dias frios se tornam refugio só para dar a desculpa de deitar um nos braços do outro. E fica meio assim, parecendo um só no meio da cama.

Quando a gente gosta, o simples encanta. Os olhos do outro parecem espelho e reflete o nosso sorriso mais bonito e sincero. Quando a gente gosta, as mãos se dão, e a gente acaba dando tudo de mais puro que existe em nós, a gente dá o ombro, dá colo, dá carinho, beijo demorado, risos e até um pouco de fé. Quando a gente gosta, a distância fere, o calendário custa a passar, e mesmo com toda a dor, a distância não importa. Porque sabem que quando os corações se encontram novamente é como se todo o tempo longe fosse deletado.

Quando a gente gosta, não mede sacrifícios. Enxuga as lágrimas, da abraço apertado, debruça o olhar sobre o outro. Vigia o sono um do outro. Não mede o tempo. Quando a gente gosta, o pôr-do-sol fica mais laranja, o vento sopra suave, e dias de chuvas são mais proveitosos, os dois de baixo da coberta e um filme qualquer na TV. Quando a gente gosta, a gente procura, vai atrás, se importa, liga, pergunta como foi o dia. A gente sofre se o outro responde o nosso "gostar" com um "não me importo".

Quando a gente gosta, fica boba, fala o nome do outro pelo menos algumas (muitas) vezes por dia. Quando a gente gosta, dói sem perceber. O pensamento permanece cada hora do dia. A angústia da ausência toma conta, e mesmo assim tudo que queremos naquele instante é poder tocar na pessoa. Poder sentir sua presença nem que for por um minuto ou a ultima vez. Cruzar o olhar e poder atravessar o interior dela e repousar em algum lugar aconchegante da sua existência. Quando a gente gosta...

Sabrina Gutierres

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