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Quênia: militantes mantêm reféns


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Militantes islâmicos ainda mantinham reféns, na noite deste domingo, em um shopping center em Nairóbi, onde pelo menos 68 pessoas foram mortas em um ataque do grupo somali Al Shabaab, ligado à Al Qaeda, que exigiu do Quênia a retirada de suas tropas da Somália.

Breves saraivadas de tiros e uma explosão interromperam a calmaria de várias horas. Um correspondente da Reuters observou uma movimentação de seguranças e, com o anoitecer, dois helicópteros voaram baixo sobre o shopping Westgate, que possui várias lojas de proprietários israelenses e é frequentado por quenianos prósperos e estrangeiros.

Os sinais de telefonia móvel começaram a falhar na área no começo da noite. O presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta, jurando continuar firme contra os militantes somalis, foi cauteloso sobre o resultado, dizendo que as chances de “neutralizar” os criminosos eram “tão boas... quanto se podia esperar”.

“Vamos punir os mentores de forma rápida e dolorosa”, acrescentou. Além dos mortos, mais de 175 pessoas foram feridas no ataque que começou perto do meio-dia no sábado, quando o shopping estava cheio de consumidores.

O foco de atenção, ontem, era a filial do supermercado Nakumatt no shopping, umas das maiores redes do Quênia. Um voluntário da Cruz Vermelha disse que nove corpos foram levados para fora da loja, aumentando o número de mortos para 68.

As autoridades não disseram quantos reféns estavam sendo mantidos, mas um canal de televisão queniano citou o número de 30.

 

Desfecho violento

Dezenas de quenianos se reuniram ontem em um local com vista para o shopping, à espera do que deverá ser um desfecho violento. “Eles entraram por meio do sangue, que é como eles vão sair”, disse Jonathan Maungo, um guarda de segurança privada.

Kenyatta, enfrentando seu primeiro grande desafio de segurança desde que foi eleito em março, disse que perdeu familiares no ataque e prometeu derrotar os militantes.

Em discurso, ele pediu que os governos ricos não alertem seus cidadãos contra visitar o país, que é fortemente dependente das receitas turísticas, insistindo que ele não irá retirar as tropas quenianas da Somália:. “Nós não iremos ceder à guerra contra o terror.”

Dizendo que todos os atiradores estavam concentrados em um lugar, Kenyatta acrescentou: “Com os profissionais no local, eu asseguro aos quenianos de que nós temos uma chance tão boa quanto podemos esperar de neutralizar com sucesso os terroristas”.

Governos estrangeiros, incluindo Israel, ofereceram ajuda. Mas o grupo de atiradores bem armados e disciplinados não tem mostrado nenhuma hesitação em matar civis.

O porta-voz das operações militares do Al Shabbab disse à Reuters na Somália que seu grupo não tinha nada a temer: “Onde Uhuru Kenyatta vai arranjar o poder com o qual nos ameaça?” disse Sheikh Abdiasis Abu Musab.

O ataque é o maior já visto no Quênia desde que a célula da Al Qaeda no leste da África bombardeou a embaixada norte-americana em Nairóbi em 1998, matando mais de 200 pessoas.


Grupo Al Shabab tem recrutas estrangeiros

O ataque ao shopping Westgate, em Nairóbi, é a ação mais ousada e visível do grupo somali Al Shabab (“A Juventude”), afiliado à Al Qaeda. Logo após o ataque em Nairóbi, eles publicaram mensagens no Twitter como “o que os quenianos estão testemunhando é justiça por crimes cometidos pelo Exército”. Tropas do Quênia estão no sul da Somália desde 2011, dando apoio aos principais opositores da Al Shabab na região.

O grupo, surgido em 2006 a partir de facções tribais, sempre foi próximo à Al Qaeda. Em fevereiro de 2012, porém, eles divulgaram um vídeo oficial jurando lealdade ao egípcio Ayman al-Zawahiri, sucessor escolhido pessoalmente por Osama Bin Laden e líder da Al Qaeda desde sua morte, em 2011.

Segundo o Centro Nacional de Contraterrorismo, um órgão oficial dos EUA, existem relatos de que os líderes do Al Shabab são treinados no Afeganistão. Eles dominam principalmente cidades rurais na região sul da Somália, que faz fronteira com o Quênia, desde 2006. Lá, impõem uma interpretação especialmente radical do islamismo, que inclui penas como o apedrejamento de mulheres e a amputação de mãos de criminosos.

Por algum tempo, o grupo teve base em Mogadício, a Capital somali, mas foi expulso em 2011. Há um ano, o Al Shabab também perdeu seu domínio sobre o porto de Kismayo, onde obtinha parte importante de seu financiamento por meio de impostos.

A última vez em que um ataque seu teve tamanha visibilidade foi em 11 de julho de 2010, quando dois ataques de homens-bomba mataram 77 pessoas que assistiam à final da Copa do Mundo em Kampala, Uganda.

O Al Shabab foi listado pela ONU como uma das facções que recrutam crianças como soldados para a sua guerra contra o governo somali e seus aliados. O grupo também tem entre seus membros vários estrangeiros, incluindo cidadãos britânicos e norte-americanos.

Dentre os recrutas estrangeiros, o mais notório foi Omar Hammami, jovem nascido no Alabama e recrutado pela Al Shabab em 2006. Ele chegou a se tornar líder tido como carismático e que, em 2009, lançou um vídeo criticando um pronunciamento de Barack Obama. Os EUA chegaram a oferecer recompensa de US$ 5 milhões por sua captura. Há uma semana, porém, circularam relatos de que o “jihadista americano”, como era conhecido, teria sido morto numa emboscada de seus próprios correligionários.

 

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