Regional

Primavera é período de tornados, diz meteorologista

Por Aurélio Alonso | Luciano Bottini Filho
| Tempo de leitura: 4 min

Arquivo/Malavolta Jr.

José Carlos Figueiredo diz que os ventos rotativos quando atingem as cidades tem potencial de destruição

Está aberta a temporada de mais tornados na região. O fenômeno atmosférico que atingiu Taquarituba é muito comum na primavera, a estações das flores.  No Estado, as ocorrências são mais comuns em maio. E o pior: difícil de ser previsto com antecedência. Os ventos rotativos são formados em redemoinho que suga para o alto tudo o que encontra pela frente. As construções da maior parte das cidades não são preparadas para suportar esse tipo de vento.

O meteorologia do Ipmet de Bauru José Carlos Figueiredo confirmou ontem que a cidade de Taquarituba foi atingida por um tornado que causou a destruição da área central da cidade.

A diferença de temperatura entre o ar frio em deslocamento e o ar quente pode formar a coluna de vento.

Nenhuma estação meteorológica da área conseguiu aferir a velocidade do vento, segundo os meteorologistas da Somar. Mas ele pode ter passado dos 200 km/h. O radar de Bauru detectou os fortes ventos no início e depois no final quando já havia atingido Taquarituba, conta Figueiredo. Veja trechos da entrevista:

JC - Foi um tornado?

José Carlos Figueiredo - Sim. O tornado é fenômeno de pequena altitude. Detectamos a nuvem que provocou a tempestade, foi muito rápido e depois o final quando já tinha passado pela cidade.

JC - O tornado se formou onde?

Figueiredo - Ele se formou ao longo de uma frente fria entre os Estado do Paraná e de São Paulo. As nuvens que produzem o tornado são as mesmas de tempestade com trovão. Os tornados saem dessas nuvens, mas nem todas elas têm potencial para produzir os ventos rotativos. A que atingiu Taquarituba tinha potencial. A primavera é a temporada dos tornados. Quase 90% dos tornados ocorrem nas áreas rurais e, eventualmente, atingem cidades.

JC - O tornado traz muito estragos pela força dos ventos?

Figueiredo - Os estragos são causados porque as construções não foram preparadas para suportar os ventos rotacionais. Normalmente, as estruturas de transmissão elétrica suportam vento frontal de até 180 km, mas as torres não não estão preparadas para aguentar a força dos ventos rotacionais.

JC - Quanto é a velocidade dos ventos de um tornado?

Figueiredo - Não existe instrumento apropriado para medir a velocidade. Há como fazer o registro dos ventos frontais, os rotacionais não.

JC - A região é propícia?

Figueiredo - Os Estados de São Paulo e Paraná são propícios a ocorrência de tornados. Já houve em Agudos no ano de 1991, mas se sabe muito pouco sobre tornados. Há quatro anos houve casos em Palmital e Indaitatuba. O porquê desse fenômeno atmosférico não sabemos. Até há pouco tempo nem se sabia que eles existiam. O tornado ocorre em baixa altitude. A própria tempestade que provoca o redemoinho chega a 16 km de altura, enquanto o vento rotativo é de no máximo 2 a 3 km. Seria preciso ter mais radares no Estado para detectar esse fenômeno atmosférico.


Em 25 anos, Estado de São Paulo teve pelo menos 205 tornados

Tornados são fenômenos imprevisíveis, mas no Brasil há mais risco de ocorrerem em São Paulo, Mato Grosso do Sul e Estados do Sul. São Paulo foi quem mais relatou esse fenômeno entre 1985 e 2010. Nesse período, foram 205 episódios, e há tendência de aumento na área urbanizada.

Segundo especialistas em meteorologia, o País não tem sistemas que registram tornados, mas se sabe que acontecem constantemente. A diferença é que hoje há mais relatos por celulares e câmeras. “Outras cidades próximas de Taquarituba, como Riversul, Coronel Macedo, Tejupá, Piraju e Itaí, certamente tiveram temporais e até tornado, mas não há como confirmar”, diz a meteorologista da Climatempo Josélia Pegorim. Da mesma maneira, não há certeza sobre a velocidade do fenômeno. Como houve carros virados, ele pode ter passado de 200 km/h. Pesquisador de tornados no Brasil, o geógrafo Daniel Henrique Candido fez um levantamento de três décadas para doutorado da Unicamp. Segundo ele, um fator que favorece os relatos em São Paulo é o fato de ser uma região mais povoada. Apesar disso, o estudo deixa claro que em regiões como São José dos Campos e Litoral Norte existe probabilidade de mais de 25% de tornados por ano. No Estado, as ocorrências são mais comuns em maio. Itupeva é a líder na probabilidade, com 36%. “O relevo plano, com baixa altimetria e próximo de um setor com elevado número de ocorrências leva a esse número”, diz o pesquisador.

Em Taquarituba, o relevo seria também propício a tornados. Segundo o Inmet, o evento resultou de um raro choque entre a massa de ar quente amazônica e o ar polar frio do Sul. “Essas ocorrências estão possivelmente vinculadas à expansão urbana, que faz aumentar a concentração de calor nas cidades”, afirma Candido.

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