A polícia realmente está fechando o cerco contra o tráfico em Bauru. Os dados apontam que, este ano, as apreensões já são quase 50% a mais do que no mesmo período de 2013. Pelo fato de a comercialização de entorpecentes ser apontada como o “motor” da criminalidade, o combate a esta prática pode estar diretamente relacionada à diminuição de roubos e furtos.
Os dados divulgados ontem pela Coordenadoria de Análise e Planejamento (CAP) da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) são referentes ao período compreendido entre janeiro e agosto.
Em 2013, Bauru teve 397 ocorrências de apreensão de tráfico de drogas. O número é 47% maior do que o registrado nos oito primeiros meses do ano passado, quando foram 270 registros. Em quantidade absoluta, uma diferença de 127 casos.
“O tráfico é um crime que tramita por vários outros delitos. Então, temos uma ação dirigida de combate ao tráfico de drogas”, pontua o comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I), tenente-coronel Walter de Oliveira.
E a ligação do tráfico com outros delitos pode ser evidenciada na gangorra dos números. Enquanto o número de apreensões relacionado à prática da comercialização de entorpecentes cresceu, diminuíram tanto a quantidade de roubos quanto furtos.
Os dados da SSP apontam que, entre janeiro e agosto de 2013, foram 687 roubos em Bauru. No mesmo período do ano passado, a cidade contabilizava 740 casos. Ou seja, diminuição de 7,1%.
Apesar da sensação de insegurança na população, a quantidade de furtos teve queda ainda maior: 12,3%. Foram 4.169 em 2012 e, este ano, 3.655. Redução de 514 registros.
O delegado seccional de Bauru, Ricardo Martines, explica que os dados comprovam a relação direta entre o tráfico e roubos e furtos. “O combate ao tráfico caseiro, que é esse das chamadas biqueiras, incide diretamente na criminalidade. Muitos dos roubos e furtos são para adquirir produtos que são usados como moedas de troca nas biqueiras. Combatendo o tráfico, diminuímos esses crimes”.
Homicídios
Outro índice que apresentou queda foram os homicídios. Entre janeiro e agosto de 2013, Bauru teve 22 casos. Foram quatro a menos do que o mesmo período do ano passado. Vale ressalvar que as estatísticas ainda não englobam setembro, mês que já registrou três assassinatos na cidade.
“Homicídios são crimes de difícil prevenção. Então, é complicado fazer comparativos assim”, explica o delegado Ricardo Martines.
Este ano, também não foi registrado qualquer latrocínio (roubo seguido de morte) em Bauru. Nos oito primeiros meses de 2012, já havia dois casos.
“Algo que colabora para evitar homicídios é tirar armas das ruas. Ontem (anteontem), por exemplo, apreendemos um verdadeiro arsenal”, finaliza o tenente-coronel Walter de Oliveira, referindo-se a apreensão - divulgada na edição de ontem do JC - de três espingardas e quatro pistolas na Vila Dutra.
Furtos e roubos de veículos
Os roubos de veículos se estabilizaram de um ano a outro. Os dados da SSP mostram que, em 2012, foram 30 casos. Já este ano, 29 veículos foram levados por violência ou grave ameaça em Bauru.
Já os furtos de veículos cresceram. Enquanto de janeiro a agosto de 2012, a cidade registrou 475 casos, o número de furtos em 2013 já está em 509.
Onze casos a mais de estupro na estatística
Um índice que apresenta crescimento preocupante são os estupros.
Este ano, já foram registrados 89 casos na cidade. Nos oito primeiros meses de 2012, foram denunciados 78. Apesar da estatística, o delegado seccional Ricardo Martines pondera que a grande maioria ocorre dentro do âmbito familiar, o que dificulta a ação policial preventiva. Contudo, afirma que os casos são investigados e combatidos. Mesmo entendimento do tenente-coronel Walter de Oliveira.
“É estudado caso a caso, porém, a maioria é cometida por um conhecido. Não é aquele crime em que a vítima é arrastada pelo criminoso para terreno baldio, por exemplo”.