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Campanha incentiva a doação de órgãos

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 2 min

O Ministério da Saúde dá início hoje, Dia Nacional da Doação de Órgãos, a mais uma campanha de conscientização. Atualmente, a fila para os transplantes no Estado de São Paulo contabiliza 12.650 pacientes. Até ontem o Estado tinha registrado 611 doações neste ano, contra 585 no mesmo período do ano passado.

O maior percentual da fila de espera, atualmente, é para transplante de rins. No Brasil, os que esperam para o transplante renal somam 80%. Em seguida os destaques são para os transplantes de fígado (10%), de coração (5%) e de pulmão (5%).

A presidente da Associação Bauruense de Apoio e Assistência ao Renal Crônico (Abrec), Maria Bernadete Matos Bento, afirma que a insuficiência renal é silenciosa e um dos fatores agravantes da patologia é a hipertensão.

“A hipertensão vai ‘matando’ os néfrons. É uma doença silenciosa que atinge muitas pessoas, inclusive foi o caso do meu filho que me trouxe à Abrec, fundada há 30 anos”, disse.

Com um ato de amor incondicional, Bernadete doou um dos rins ao filho José Paulo Bento Martins, 46 anos, que é hipertenso e por isso desenvolveu a insuficiência. “Gostaria de frisar a importância da doação. É um ato de amor. Neste caso não dói, apenas fica uma cicatriz no abdômen”.


Spot

Além da Central de Captação de Órgãos, o Estado de São Paulo possui dez Serviços de Procura de Órgãos e Tecidos (Spots). Um deles fica no Hospital das Clínicas da Unesp de Botucatu, atendendo Bauru e mais de 15 municípios da região como, por exemplo, Lençóis Paulista, Avaré e Laranjal Paulista.

Os possíveis doadores captados pelos Spots são pacientes diagnosticados com morte encefálica. O médico nefrologista e colaborador do Spot de Botucatu, Reginaldo Carlos Boni, explica que o serviço possui uma busca ativa em todas as cidades de sua abrangência.

“Nós vamos a todas as cidades da nossa abrangência todos os dias em busca de novos doadores, desde 2010, quando esse serviço de busca ativa foi criado. O HC faz todos os esforços para que o número de doadores aumente”.

Com uma região de cerca de 1,2 milhões de habitantes, em 2012, o Spot Botucatu computou 41 doadores para cada milhão desta população. No ano anterior (2011), esse número foi de 29 doadores por milhão, ou seja, os doadores só aumentam.

“Nós também oferecemos o serviço de acolhimento às famílias, explicando sobre o transplante. É importante que as pessoas tenham a consciência de que a morte encefálica nada mais é do que a morte em si, é um diagnóstico de certeza. A retirada dos órgãos não deforma o corpo para o funeral”, acrescentou.

O médico ressalta que, para ser um doador, basta avisar os familiares. Não é necessário afirmar ser doador em documentos como, por exemplo, o RG nem Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

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