Luta, assombro, horror das panes cerebrais e mentais. Pra conhecer um pouco do universo do neurocientista Oliver Sacks, só mesmo vendo de perto “Estúpido”, peça integrante da segunda edição do Festival de Artes Cênicas (Face) de Bauru. O espetáculo da Estúpida Cia, de Londrina (PR), poderá ser visto hoje, no Teatro Municipal, às 20h30.
Os relatos de Oliver revelam condições e situações do sujeito humano em relação à doença e, para além dela. A cena de “Estúpido” pode ser reconhecida num mixer de aspectos teatrais e performáticos: na postura e condução de seus sujeitos - atores e atrizes -, na incansável ação de revelar suas estranhadas formas artificiais e, ao vivo, destruí-las.
A presença do show e do horror se deve a uma espécie de “lupa” que amplia e evidencia o choque, a inadequação e o desespero do organismo em luta por encontrar ou manter alguma forma de vida. O palco procura mimetizar o próprio funcionamento de cérebro e dá lugar a estados alterados do ser.
Conceito
O conceito desta segunda edição do Face traz como questionamento tudo aquilo que foi tomado, pensado, já feito e continua afetando a produção humana. Tendo em vista o constante resgate de obras humanas, a programação de espetáculos traz peças baseadas em grandes obras e autores, como Kafka, que é lembrado em “O Que Fazer Com o Que Kafka Fez Com a Gente”, espetáculo programado para o dia 28 (sábado). Conforme trecho destacado do site do Face, “o festival é uma [pequena] forma de nos colocarmos dentro, de existirmos na humanidade, de sermos um pouco de re-existência de vida humana”.
O Face surgiu em 2012 como resposta expressiva às inquietações e anseios de artistas bauruenses, especialmente, do grupo Protótipo Tópico, quanto à fomentação e fortificação do cenário das artes cênicas na região de Bauru. Em sua segunda edição, que vai até domingo, o festival contemplará a pluralidade das artes cênicas e reunirá artistas, espetáculos, oficinas, estudantes e população geral.