O sr. João Antonio Rodrigues é um sr. que exerce a função de pipoqueiro desde outubro de 1995 na Associação Luso Brasileira, nas serestas, das quais eu frequento todas as sextas-feiras. Chega por volta das 21 horas e só vai embora quando encerra, às 2hs da madrugada, sempre atencioso, gentil, com o seu jaleco branco e seu sorriso amável para receber bem aqueles que ali vão.
Pipoqueiro, função esta que está desaparecendo com o passar do tempo, pois hoje com os microondas e as pipocas todas já ensacadas e prontas para serem consumidas, a figura do pipoqueiro com o seu carrinho está se tornando coisa do século passado.
Mas o sr. João tem a sua técnica, espera a seresta começar, e já com tudo preparado em seu cantinho, pois tem a sua bancada apropriada para fazer a pipoca estourar e exalar um cheirinho que é inconfundível. Tem, diríamos ,forma de promover o seu trabalho, o seu merchandising, acionando a manivela de sua pipoqueira manual vai fazendo doses homeopáticas, pois a pipoca fica quentinha para o consumo imediato. Tem ainda os adereços. "Vai sal"? - "Vai molho"?, pergunta o sr. João, e já à mão tem um pratinho de papelão com guardanapo para higienização e para o cliente não ficar na expectativa de que o saquinho poderá cair. Faz a sua venda com o seu jeito simpático, educado e atencioso de sempre...
Conversando com ele, soubemos que foi funcionário do DER durante 35 anos, e concomitantemente iniciou a sua carreira de pipoqueiro no antigo BAC, onde permaneceu 25 anos, participando das festas, jogos, finais de semana, e quando houve o encerramento das atividades do BAC, transferiu-se para a Associação Luso Brasileira, estando lá até hoje... Fiz as contas, já se passaram 18 anos... mais os 25 do BAC, temos 43 anos em que esse sr. seleciona o milho, sal e o amor para que a pipoquinha saia de acordo com o gosto de cada cliente... E tem também o amendoim torradinho para completar o cardápio dos mais exigentes... Faça frio, calor, chuva ou vento lá está o sr. João a postos para atender aos frequentadores da Seresta da Luso...
É um sr. que poderia ficar em casa, sem nada fazer, mas tem o seu compromisso assumido, tem a sua clientela que o espera semanalmente, e o principal, não pode deixar morrer a profissão de pipoqueiro. Faço aqui a minha homenagem aos pipoqueiros que sempre estão presentes com seus carrinhos tradicionais nos circos, exposições, rodeios, parques, praças, eventos e também na Seresta da Luso de Bauru.
Professor especialista Carlos Alberto Alves Neves