Fotos/Éder Azevedo |
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Sem vaga, caminhão parou irregularmente onde é o ponto de uma linha de ônibus |
As recentes mudanças implementadas no sistema viário do Centro provocam descontentamento de comerciantes e motoristas. Entregadores se arriscam a receber multas ao estacionar nos extintos pontos de carga e descarga na praça Machado de Mello.
Os “sem carga e descarga” estão irritados com as modificações promovidas pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb).
Por intermédio de sua assessoria de impressa, a empresa municipal já revê o equívoco. “O setor de planejamento de tráfego já efetuou os levantamentos para implantação de nova área de carga e descarga no local e, em breve, será implantada a nova vaga”, informa nota da assessoria encaminhada ao JC.
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O motorista Jurandir da Silva correu risco de ser multado: “Tem que parar, fazer o quê?” |
Enquanto nada é feito, o motorista Jurandir Lima da Silva, 35 anos, parou ontem seu caminhão onde atualmente é o ponto de uma linha de ônibus que ocupa a antiga vaga de carga e descarga. Independentemente do risco de ser multado e do prejuízo em decorrência da infração de trânsito, Silva entende que vale insistir. “Tem que parar. Fazer o quê?”, avalia.
O motorista diz que diariamente faz entregas na Machado de Mello e ontem tinha encomenda para um hotel localizado na praça. Ele trabalha para uma grande loja de departamentos. O condutor ressalta que as vagas teriam que aumentar em toda a cidade e não serem extintas. Ele conta que já houve situações de parar no meio da rua.
Se liga
A proprietária de um varejão instalado na praça há dois anos, a comerciante Patrícia Helena Bento Alves, 25 anos, avalia que os técnicos da Emdurb não avaliaram o impacto negativo da retirada das vagas.
“Não pensaram em nenhum momento em nós aqui e que pagamos impostos”, critica. Na mesma linha de raciocínio, o comerciante de móveis Fabrício Greatti, 29 anos, salienta que entre 10 e 12 caminhões necessitam fazer entregas diárias na Machado de Mello e imediações.
Ele lembra que há caminhões de entregas de bebidas, de suprimentos de informática e papelaria e de uma loja de brinquedos que se prepara para o Dia das Crianças. Greatti entende que o fluxo é grande de caminhões na praça e nas lojas da quadra 1 da Batista de Carvalho. Com sua loja há oito anos na praça, ele conseguiu uma alternativa de um terreno baldio ao lado para parar seu caminhão.
Tudo errado
Com a experiência de quem dirige táxi há 45 anos, na Capital e em Bauru, o taxista bauruense Geraldo Santana, 80 anos, diz não entender parte das mudanças promovidas pela Emdurb.
Ele comenta que pacientes que usam serviços no Pronto-Socorro Central (PSC), Hospital de Base e Ambulatório Médico de Especialidades (AME) foram penalizados.
Santana cita que o ônibus que tinha ponto final próximo das unidades médicas para agora na Machado de Mello. Isso implica que os pacientes têm que se deslocar até a praça. Somente o AME tem média mensal de 6 mil consultas médicas, mil consultas não médicas, quase 200 cirurgias ambulatoriais e 11,7 mil exames. O PSC é a porta de entrada da urgência e emergência em Bauru. “Como é que pode? Não dá para entender”, frisa Santana.
O ponto final das linhas Santa Terezinha/Lauro de Souza Lima-Centro e Distrito Industrial II-Centro migrou da rua Antonio Zuiani para a praça Machado de Melo. Pacientes caminhavam duas quadras até a porta de entrada do AME. Partindo da porta principal do Hospital de Base, na rua Monsenhor Claro, são sete quadras até o ponto na praça Machado de Mello, no Centro. Procurada, a Emdurb não respondeu até o fechamento desta edição.
Remendo
Para tentar suprir a falta de dispositivos viários (viadutos e avenidas perimetrais) que dariam maior fluidez e comportariam melhor a atual frota de veículos, a Emdurb promoveu mudanças no trânsito a partir do dia 20 do mês passado.
Conforme argumentou ao JC o gerente de planejamento e operações viárias da Emdurb, Aníbal dos Santos Ramalho, a intenção é aumentar a vazão das vias existentes.
Na prática, a Quintino Bocaíuva e a Floriano Peixoto são agora de mão única. As duas vias desembocam na avenida Pedro de Toledo. Na zona sul, as ruas cruzam ou se interligam à avenida Comendador da Silva Martha. A Quintino Bocaíuva vira rua Professor Luiz Braga, ao cruzar a rua Fernando Costa, prolongando-se até a Comendador.
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