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Ruichander Batista Duarte está foragido da polícia |
Um pedido de abraço aparentemente inocente foi a estratégia utilizada por Ruichander Batista Duarte, 20 anos, para se aproximar de sua ex-namorada e tentar matá-la a facadas. Segundo a família da vítima, ele teria tentado reatar o namoro e, diante da resistência da jovem, fez-se de conformado e pediu um abraço de despedida.
“Foi quando ela foi atingid. Ele planejou o que iria fazer”, comenta uma prima da garota. A vítima, de 15 anos, continua internada em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Base. Segundo o JC apurou, ela foi submetida a uma cirurgia porque teve o fígado perfurado e deve permanecer em coma induzido ao menos até amanhã.
A adolescente, que não terá a identidade divulgada para evitar constrangimentos, foi atacada pelo ex-namorado em frente à praça Rui Barbosa, na rua Primeiro de Agosto, por volta das 20h45 de anteontem, conforme o JC divulgou ontem com exclusividade.
Após dois anos de namoro, ela teria decidido terminar o relacionamento no último final de semana. “Desde o início, ninguém na família aprovava o namoro. Ela sabia que ele era tranqueira e acho que só demorou tanto para terminar porque tinha medo”, conta a prima, referindo-se ao fato de o rapaz já ser conhecido nos meios policiais. Desde o fim do relacionamento, segundo a família da vítima, Ruichander estava inconformado.
Premeditado
A adolescente trabalha em uma empresa de recuperação de crédito na região central de Bauru e, anteontem, aguardava a chegada da mãe, que todos os dias busca a filha em frente à praça. Como sabia que a jovem estaria no local naquele horário, Ruichander teria ido até a ex-namorada para tentar uma reconciliação.
Houve discussão e o rapaz teria tentado acalmar os ânimos, pedindo, então, o fatídico abraço. Toda a sequência dos fatos foi relatada pela própria vítima à mãe, que chegou minutos depois, antes mesmo de a filha ser socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
De acordo com a prima da vítima, ela teria sido esfaqueada oito vezes por Ruichander na região do abdômen, mas apenas o golpe que atingiu o fígado teve maior gravidade. O agressor fugiu em direção à avenida Nuno de Assis e, apesar das buscas realizadas inclusive em sua residência, no Parque Santa Edwirges, continuava foragido até a noite de ontem.
Prisão temporária
Ainda ontem, o delegado Kleber Granja, da Central de Polícia Judiciária (CPJ), representou pela prisão temporária de Ruichander Batista Duarte, por 30 dias, por tentativa de homicídio qualificado. O pedido seria apreciado pela Justiça.
Nos próximos dias, familiares e policiais militares que atenderam a ocorrência deverão ser chamados a prestar depoimento. As buscas para tentar localizar o acusado continuam.
Vítima já teria sido ameaçada com revólver
A vítima e Ruichander se conheceram por meio de amigos em comum do bairro onde moram, o Parque Santa Edwirges. Ele foi o primeiro namorado da adolescente, que iniciou o relacionamento quando tinha apenas 13 anos de idade.
Há cerca de cinco meses, a jovem chegou a encerrar o namoro, quando o rapaz a ameaçou com um revólver, segundo relato de uma das primas da vítima. “Ele a abordou no meio da rua e colocou a arma na barriga dela, dizendo que, se ela não voltasse com ele, não ficaria viva”, relembra.
Na época, a adolescente chegou a registrar boletim de ocorrência por ameaça, mas acabou cedendo à insistência do ex e reatou o relacionamento dias depois. “Acho que, já naquela época, ela voltou por medo. Quando ela se envolveu com ele, era muito nova, mas depois caiu na real. Viu quem ele era”, comenta.
De acordo com a prima, a mãe da vítima está abalada e não tinha condições de atender a reportagem. Mas destacou que a família espera que Ruichander seja preso “o quanto antes”.
Intolerância à frustração
A atitude de Ruichander Batista Duarte reflete, na visão da psicóloga Maria Lúcia Biem, um alto grau de intolerância à frustração, impulsividade e individualismo. Para ela, não apenas jovens, mas também adultos, tendem a enfrentar dificuldades para lidar com perdas, numa sociedade como a atual, que valoriza, de maneira incisiva, o hedonismo e a efemeridade.
“As pessoas buscam prazeres imediatos e, desta forma, também soluções imediatas para superar qualquer tipo de ‘não’. É claro que o contexto social e familiar interfere muito na maneira como cada um vai reagir. E as pessoas devem estar atentas aos sinais e se prevenir de pessoas com comportamentos agressivos”, ensina ela, que também é terapeuta sexual.
Para Maria Lúcia, a competitividade e a pressão social característica da vida adulta, que também vem se tornando comuns entre jovens, não é justificativa para rompantes de agressividade como o registrado na noite de anteontem.
“Se a pessoa está estressada, deprimida, deve procurar outros caminhos, como o da espiritualidade. Para retomar a qualidade de vida, também vale procurar ajuda profissional ou uma atividade física”, ensina.
