A maturidade vem acompanhada da sabedoria, da experiência, somente quem já viveu muito tem o dom de saber mais, pois se encontra nessa fase da vida com os seus demônios exorcizados e com os seus deuses, outrora adorados, agora queimados. Há uma estória oriental citada por Rubem Alves, que diz assim: ?Um homem ia por uma floresta, estava muito escuro, e de repente ouviu um rugido terrível. Era um leão. Ele ficou com muito medo e começou a correr. Como estava escuro ele não viu por onde ia e caiu num abismo. No desespero da queda agarrou-se a um galho e ficou pendurado sobre o precipício: lá embaixo, o abismo; em cima, o leão. Olhou então para a parede do precipício e viu uma plantinha com uma frutinha vermelha, um morango. Ele estendeu seu braço, colheu o morango e o comeu. Estava delicioso!? Esta é a minha história. Aqueles que gostam de um final claro perguntam logo: "Ele caiu ou não caiu?" Eu respondo: "Você não percebe que o homem é você, que sou eu? Vamos cair. Ainda não caímos. Por enquanto, tratemos de comer os morangos..."
Na maturidade é tempo de construir, pois já foi vivido o suficiente para saber que só se perde aquilo que se tem. Viver e aproveitar o máximo aquilo de que ainda dispomos parece ser a chave da questão. Se deixarmos a amargura, a falta de esperança e o inconformismo tomarem conta da nossa existência, não contribuiremos com absolutamente nada para um envelhecimento feliz.
Penso que procurar viver com serenidade e sabedoria cada etapa de nossa vida é o segredo maior para usufruir dos benefícios advindos da maturidade e da velhice. Para isso temos de possuir clareza da maneira pela qual concebemos a vida.
Se não tivermos o necessário conhecimento sobre o nosso corpo e nossa própria dinâmica de vida, com certeza nos deixaremos levar pelos mitos, e muito mais, nos curvaremos diante das inverdades e imposições externas, perdendo cada vez mais a nossa auto-estima, deixando de "saborear" o tempo do acúmulo de experiências e da sabedoria.
Parafraseando Affonso Romano de Sant?Anna, não podemos envelhecer mal, desconfortavelmente, com uma infelicidade crua na alma, com um rancor nos cobrindo a pele, a escrita e o gesto. Não podemos ser apenas críticos azedos do mundo ou até mesmo cítricos, sem nenhuma doçura nas palavras, com fel nos olhos, pois "nunca vi o Sol se queixar no entardecer. Nem a Lua chorar quando amanhece". Tudo na vida tem o seu tempo...Então...tratemos de comer os morangos...
A autora, Maria Dvanil D´Ávila Calobrizi, é gerontóloga social - professora do Centro Universitário de Bauru ? ITE - curso de Serviço Social