Conforme denúncia do médico cubano Carlos Rafael B. Gimenez, em pronunciamento no plenário da Câmara Federal, dia 4 de setembro de 2013, no Brasil há anos, trabalhando em Brasília, o governo brasileiro não fez convênio com os médicos cubanos. O convênio é com o governo de Cuba, caracterizando um trabalho escravo.
Já fui um idealista desses de esquerda. Humanista, sim, contra o chamado capitalismo selvagem. Não se concebe humanista apoiando capitalismo selvagem e nem a esquerda extremista. Assim cheguei à minha posição de espiritualista, convicto de que não basta trocar os homens do governo. Não adianta substituir PT por PSDB ou, como está surgindo no cenário das próprias eleições presidenciais, abraçar a pretensão de quebra da hegemonia polarizada entre PT e PSDB, quebra esta que, certamente, será a proposta do PSB. O problema não é saber votar, mas em quem votar. Não temos em quem votar!
Na verdade, as pessoas, os homens é que precisam mudar. Enquanto isso não acontecer, a troca de comando é inútil. Como disse um filósofo francês do século 19, o poder corrompe absolutamente. PT, PSDB ou PSB (a tripolarização do momento), tudo a mesma coisa, pois as pessoas são as mesmas e os vícios também. A corrupção vai continuar.
O PT é uma decepção idealista. O partido do trabalhador sempre foi contra o trabalho escravo e baixos salários. Pois bem, agora, a pretexto do programa "Mais Médicos", fez convênio com o governo cubano (entenda-se irmãos Castro) para selar o regime de escravatura dos médicos cubanos. O governo brasileiro diz que vai pagar R$ 10 mil para cada médico, mas os camaradas cubanos vão receber apenas R$ 300,00 (trezentos reais).
É ou não uma escravidão? Com família refém lá na ilha, não podem sequer sonhar com a liberdade de "ir e vir"; asilo político está fora de questão, pois o convênio não passa de conluio lesa humanidade. Teoricamente, R$ 9.700,00 de cada médico cubano vai ser pago ao governo cubano, nesse estranho intercâmbio escravagista entre governos, que têm o dever de pautar pela liberdade individual das pessoas, independentemente da nacionalidade.
Os nossos médicos não têm o que reclamar dos espaços que seus colegas e irmãos cubanos (a humanidade deve ser uma só família) vão ocupar. Não deve ser esse o foco dos justos protestos. O foco deve ser a situação desumana de escravos! É uma relação incestuosa entre os governos brasileiro e cubano.
Os cubanos não vêm para cá fazer pós-graduação, especialização ou doutorado. A formação deles é das mais qualificadas, mas vêm felizes por ganhar R$ 300,00 de salário contra R$ 60,00 em Cuba por jornada de 60 horas semanais. O Brasil não pode ser um tentáculo da escravidão. A situação da nossa saúde está no estado que está por negligência do nosso governo, que agora apoia uma vida desumana e sem liberdade.
Venício Augusto Francisco, advogado