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Carnes: alta deve pesar na inflação


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O consumidor vai pagar um pouco mais caro pelas carnes de frango, suína e bovina no final do ano, mas a valorização será menos intensa que em 2012, quando os preços dispararam com o aumento da demanda e o custo de produção mais alto. Neste ano, a demanda aquecida, típica desta época, continuará dando suporte aos preços, mas as cotações do milho e da soja, usados na ração, estão em queda, devido à maior oferta global.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), Rui Vargas, disse que algumas empresas do setor estão apostando em um “maravilhoso” final do ano, com receita sustentada pela oferta menor do produto. Desde maio, o abate de suínos caiu, devido ao clima mais frio, que influenciou também o custo de produção.

O executivo não projeta qual será o reajuste de preços até o final do ano, mas antecipa que será inferior ao do ano passado, que foi pouco superior a 10%. “Nesse ano há um cenário mais favorável com menor preço dos grãos, mas o custo de produção em determinados itens ainda não acabou (inflacionário, energia, transportes, mão de obra - pela nova legislação trabalhista)”, afirmou.

Analistas consultados pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, descartam que a valorização dos suínos e de outras carnes, que tendem a acompanhar o movimento, tenha forte impacto inflacionário. “A alta, principalmente da carne de frango e de suínos, já está sendo sentida no atacado e vai chegar ao varejo nesse mês. Em outubro, o aumento dos preços da carne será contundente”, disse a analista de inflação da Tendências Consultoria Integrada, Adriana Molinari.

“Porém, nos dois últimos meses do ano, pode haver uma desaceleração desse aumento por conta de um cenário mais favorável dos preços do milho e da soja, além de uma melhora na oferta de matéria-prima”, completou.

 

Repasse


Sem citar um percentual de aumento dos produtos, a analista diz acreditar no repasse quase total ao varejo da valorização no atacado. Conforme dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), no atacado da Grande São Paulo, neste início de semestre até o dia 09, a carcaça comum suína subiu 33%, com o quilo do produto passando de R$ 4,15 no dia 28 de junho para R$ 5,96 ontem.

O valor foi recorde nominal, considerando a série histórica iniciada em 2004. Na sequência, ficou o frango resfriado, com valorização de 23% no período, saindo de R$ 2,95/quilo para R$ 3,85/quilo. No dia 25 de setembro, foi atingido o valor de R$ 4,17/quilo, recorde nominal histórico.

 

Carcaça

Quanto à carcaça casada de boi, o aumento no preço foi de 11,5% na mesma comparação, com cotação média de R$ 7,19/quilo na quarta, 9, ante os R$ 6,35/quilo do encerramento de junho. A média do dia 2 de outubro encostou no preço máximo, em termos nominais, da série do Cepea, que começou em 2001 para este produto - no dia 10 de novembro de 2010, quando o valor foi de R$ 7,36/quilo.

Oferta menor e não insumos dão suporte neste ano - Tanto os aumentos do frango e do suíno no ano passado foram impulsionados pela alta expressiva dos grãos - milho e soja. Nesse ano, a sustentação vem de uma oferta mais equilibrada à demanda do que ao comportamento dos preços dos insumos, que, ao contrário de 2012, estão em queda.

 

Outras cotações

De acordo com o diretor de Pesquisa Econômica da GO Associados, Fabio Silveira, no segundo semestre de 2012 a cotação do milho subiu 38%, sendo 30% somente entre julho e setembro. Já no mesmo período de 2013 os preços do milho acumulam queda de 5%. “E a tendência para outubro e para o restante do ano é de continuidade da trajetória de recuo”, declarou.

O economista reforça a análise de Adriana Molinari, afirmando não ver risco inflacionário com a alta das carnes. “As cotações devem subir um pouco, ou seja, terão uma influência positiva no IPCA, mas a alta deve ser inibida pela queda dos valores do milho”, ressaltou. Silveira informou que o complexo carne tem um peso de 2,36% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “Não será uma pressão inflacionária grande como a do ano passado e nem a do tomate em meados do primeiro semestre”, completou.

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