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Entrevista - Luiza Valdetaro


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O desafio de cantar em cena

Após viver a doce Gerusa na novela "Gabriela", da TV Globo, Luiza Valdetaro agora interpreta a corajosa Hilda Hauser, em "Joia Rara". Desde que aceitou o papel, a atriz sabia que a personagem iria dar uma guinada em sua vida, situação que já começa a se desenhar na trama de Duca Rachid e Thelma Guedes. Entretanto, o maior desafio, na opinião de Luiza, é cantar em cena, o que vai acontecer em breve.

Nesta entrevista, a atriz também conta como enfrentou a dor de ver sua filha, Malu, de apenas cinco anos, submeter-se a um pesado tratamento contra uma leucemia. Apesar do rosto de menina, Luiza tem 28 anos e afirma que, depois do ocorrido, mudou sua maneira de encarar a vida.

Depois de interpretar Gerusa, em "Gabriela", agora você está na pele da corajosa Hilda Hauser. Cantar em cena será um desafio?

Luiza Valdetaro - Eu canto um pouco por causa da faculdade de teatro. Lá, adquiri todas as técnicas, mas isso é completamente diferente de ser uma atriz de musical. Vejo a Hilda como uma estrela mundial, cantando, dançando, fazendo megashows. Vou cantar em cena e não será nada dublado. De início, fiquei muito tensa e preocupada. Eu nunca cantei, só fiz aulas de canto, mas me preparei e estou estudando. Nunca esteve na minha mente ou nos meus planos investir nessa área, mas a gente aceita o que vem. Achei um desafio interessante e me propus a tentar.


Na trama, Hilda Hauser teve uma educação rígida e seu pai, Ernest (José de Abreu), sonha que ela se case e construa uma família. Onde a personagem vai buscar forças para enfrentá-lo?

Luiza - O mais interessante desta personagem é que ela transita pelos diferentes núcleos da novela. Isso é muito bom. Ela mora em uma casa, com o clima austero, da alta sociedade, cheia de regras de educação e tem um pai muito sério, mas a Hilda é uma menina amorosa, alegre, com uma energia boa. Por isso, é atraída por esse outro ambiente que é mais vivo, com calor humano. De alguma forma, mesmo diante de todas as dificuldades, ela vai conseguir realizar os sonhos. A frustração não vence a Hilda. A energia dela não acaba até conseguir o que quer. Na verdade, a personagem incorpora as dificuldades e se torna mais forte a partir delas.


Em que momento da trama a personagem vai conseguir se rebelar para fazer valer as suas vontades?

Luiza - A transformação dela só acontecerá na segunda parte da trama. Adoraria, se ela conseguisse desabrochar quando fosse trabalhar no cabaré, e que transitasse do canto para a dança. Seria incrível se ela pudesse ser mais sensual, mas essa construção da personagem, na verdade, é um bem bolado da minha intenção com a direção da Amora (Mautner) e o texto das autoras (Duca Rachid e Thelma Guedes). Então, temos que esperar. A Hilda é diferente das minhas personagens anteriores porque é alegre, não é vítima da situação que vive.


Então, até ela alcançar os próprios ideais, haverá muito sofrimento no ar?

Luiza - Muitos obstáculos vão surgir, mas a Hilda não encara as dificuldades da vida de maneira tão sofrida. Na verdade, ela aproveita as quedas para se fortalecer para as batalhas que ainda virão. Ela é uma mulher positiva e tem sabedoria para entender como pode aprender com cada obstáculo e, assim, se fortalecer lá na frente. A personagem tem uma história forte. Ela perdeu a mãe e o pai é bem ausente. Ela mente para fazer as aulas no cortiço e para trabalhar no cabaré. Também não poderá dizer que é uma Hauser até que o destino prega uma peça e ela se apaixona por uma pessoa do cabaré, mas que ainda não posso revelar quem é.


Para dar vida a Hilda Hauser, você mudou completamente o visual. Gostou do resultado?

Luiza - A mudança ficou a critério do (cabeleireiro) Ale de Souza e também da Marie Salles, que faz o figurino. Tudo foi apresentado a Amora Mautner (diretora) e ela deu o "ok" final. O cabelo da personagem é modelado. Por isso, faço babyliss (aparelho que faz cachos) todos os dias. Eu vim de outra novela de época ("Gabriela"), então, não mudou muito o corte. Como uso muito fixador, o que deixa os fios mais ressecados, passei a usar bons condicionadores. Antes, eu não tinha o hábito de usar condicionador diariamente. A minha intenção era que ele parecesse mais grosso, então, às vezes, não é bom que esteja tão hidratado. Adorei o resultado e acho bacana variar.


Você é vaidosa também com a questão da maquiagem?

Luiza - Gosto de maquiagem também. Normalmente, eu prefiro destacar os olhos e colocar um batom cor de boca. Vou muito atrás das sugestões dos maquiadores em quem confio. Na minha bolsa de maquiagem não falta rímel e corretivo.


Hoje sua filha Malu está com cinco anos. É difícil conciliar a maternidade e o trabalho?

Luiza - Assim como todas as mulheres que têm filhos e trabalham fora, eu fico telefonando para casa nos momentos de folga e, sempre que dá, falo com ela. Controlo tudo de longe e, quando estou liberada, é dedicação total à família.


Depois do problema de saúde que a Malu teve, ao enfrentar uma leucemia, a família ficou mais unida?

Luiza - Todas as situações que nos são entregues fazem com que a gente amadureça de alguma forma. E esse é o lado bom da coisa. A nossa vida mudou demais, é inevitável em uma condição como essa, mas, se antes já éramos unidos, ficamos muito mais. A Malu sentiu essa diferença. Depois de tudo que passei, aceito com facilidade o que a vida oferece e não me frustro com coisas pequenas. Essa lição é para sempre.

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