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Unicamp anuncia criação de Comissão da Verdade

Por Myung Hwa Baldini | Folhapress
| Tempo de leitura: 1 min

Reprodução

Unicamp: a comissão irá investigar violações dos direitos humanos ocorridos na universidade durante a ditadura militar e o envolvimento da instituição com o regime

A Unicamp anunciou a criação de uma Comissão da Verdade e Memória para investigar violações dos direitos humanos ocorridos na universidade durante a ditadura militar e o envolvimento da instituição com o regime.


A comissão leva o nome do sociólogo Octavio Ianni, professor emérito da Unicamp que foi aposentado compulsoriamente da USP pelo AI-5, em 1969.


Segundo portaria assinada pelo reitor José Tadeu Jorge, a comissão está autorizada a recolher depoimentos de professores, funcionários e alunos e a acessar documentos de todos os órgãos da universidade.


O resultado dos trabalhos será encaminhado à Comissão Nacional da Verdade e à Comissão da Verdade do Estado de São Paulo.


Existe ainda a possibilidade de mudança no regimento geral da Unicamp, cujas disposições disciplinares mantêm, segundo documento da Congregação do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), "transcrição do Decreto-Lei 477, braço universitário do AI-5".


As atividades da comissão começarão em um seminário nesta quinta-feira, presididas pela professora Maria Lygia Quartim de Moraes (IFCH).


Em e-mail enviado à reportagem, Moraes citou entre os casos a serem investigados a prisão e tortura do professor de história Ademir Gebara, em 1975, e as ameaças de morte sofridas pelo então doutorando em economia Luiz Gonzaga Belluzzo, que teve de abandonar o país para não ser preso.


São membros titulares da comissão os professores Wilson Cano (economia), Yaro Burian Júnior (engenharia elétrica), Ângela Maria Carneiro (ciência política) e o advogado Eduardo Garcia de Lima.


A portaria prevê um ano de atuação da comissão, prazo que pode ser prorrogado.

 

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