Internacional

EUA têm um dia tenso à espera do acordo

Folhapress
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No último dia do prazo que restava aos congressistas em Washington para chegarem a um acordo que evitasse um calote da dívida americana, Wall Street amanheceu ontem sob tensão.

A menor menção sobre as possíveis desastrosas consequências de um default pareciam ser palavras impronunciáveis por engravatados abordados pela reportagem no horário do almoço nos arredores do edifício da Bolsa de Nova York.

Na calçada da Nyse, silêncio, ou “sem comentários”, era a resposta mais comum dada por quem foi questionado. A assessoria de imprensa da Bolsa afirmou que não falaria sobre o assunto ontem.

Horas antes de o Senado alcançar uma solução temporária para autorizar o Tesouro a permanecer se endividando até o início de fevereiro, executivos como Tom, que pediu para não ter seu sobrenome nem o nome da firma para onde trabalha publicados, insistiam em dizer que “o Congresso vai acabar com isso, mesmo que seja no último minuto”.

Mensurar os possíveis impactos econômicos mundiais no evento de um calote, só em cálculos bastante imprecisos, mas sempre acompanhados das palavras “profundos”, “negativos” e “imprevisíveis”.

Distantes da realidade financeira de Nova York, os vendedores, taxistas e recepcionistas na região sabiam muito pouco sobre o assunto. Pareciam ter, apenas por alto, a impressão de que seriam muito prejudicados caso Washington não chegasse a um acordo.


Otimismo

Democratas e republicanos estavão confiantes que a Câmara dos Deputados dos Estados Unidos teria votos suficientes para aprovar, ontem, o projeto de lei feito no Senado para elevar o limite de endividamento dos EUA e reabrir o governo, disse um assessor do Partido Democrata.

Assessores do presidente da Câmara, o republicano John Boehner, telefonaram mais cedo para líderes do Senado para informar que a Câmara votará primeiro sobre a medida, segundo o assessor.

Ele acrescentou que o projeto parece certo de obter aprovação com a maioria dos votos de democratas.


Consequência econômica

O impasse no Congresso sobre o Orçamento federal e o teto da dívida dos EUA custou ao país US$ 24 bilhões, na avaliação da agência de classificação Standard&Poor’s.

Segundo a economista-chefe da agência, Beth Ann Bovino, em meados de 2011 já houve efeitos pesados, derrubando a confiança do consumidor para um recorde negativo e provocando crescimento menor do PIB.

Ela prevê que o impacto na economia desta vez deve ter sido maior porque as negociações coincidiram com o fechamento de parte do governo, parado por 16 dias.

Arrecadando cerca de US$ 7 bilhões por dia, o Tesouro tinha recursos para pagar as contas nos próximos dias, mas calotes seriam possíveis já no final de outubro.

Nos últimos 16 dias de paralisação do governo, parques, monumentos e pontos turísticos foram fechados. Só serviços essenciais nas sedes dos ministérios na capital foram mantidos. A paralisia também fez Obama cancelar uma viagem à Ásia e adiar diálogos sobre um tratado de livre comércio com a Europa.

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