Cultura

Drama no espaço

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Filme usa recursos inéditos e consultoria da Nasa

Imagine-se a 600 quilômetros da Terra, onde tudo é silencioso e vazio, sem oxigênio ou gravidade. A experiência pode parecer extraordinária e divertida - até que você amplie a imagem e se veja à deriva nessa imensidão, sem perspectiva de retorno. Essa é a sensação que norteia “Gravidade”, filme do diretor mexicano Alfonso Cuarón (de “Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban”) que estreia hoje nos cinemas em Bauru (confira a nova programação na página 32), e é estrelado por Sandra Bullock e George Clooney.

Nas primeiras cenas do filme, a doutora Ryan Stone (Sandra Bullock) e o veterano Matt Kowalsky (George Clooney) se encontram no espaço, em situações opostas: experiente em missões do gênero, ele está prestes a se aposentar. Já ela faz sua primeira viagem extraterrena.

Fora da nave, os diálogos divertidos entre eles e o comandante que os auxilia de uma base na Terra - realizados por meio de um sistema de microfones - logo são interrompidos pelo anúncio da tragédia que dará novo ritmo ao filme: destroços de um satélite que a Rússia acaba de explodir se aproximam, colocando todos em risco. O tempo é curto até que os destroços atinjam a nave e matem seus tripulantes.

À deriva - e após uma nauseante cena em que é lançada para longe -, Ryan é salva por Kowalsky e começa, a partir desse momento, a sua saga pela sobrevivência. Um fator piora o quadro: no incidente, a comunicação da engenheira médica com a Terra é cortada, contribuindo para que o pânico volte a pontuar a trama. Com o oxigênio prestes a acabar e sem experiência em pilotagem, Ryan terá de superar suas limitações para, a partir de outra nave localizada em uma base espacial chinesa, garantir sua volta à Terra.


Filme usa recursos inéditos e consultoria da Nasa

“Mexicanos malucos!”. Sandra Bullock define como ninguém a equipe de “Gravidade”. Ela não está exagerando. Para criar a maior estreia de um longa em outubro - com faturamento de cerca de US$ 55 milhões nos EUA -, e um dos favoritos ao Oscar, o diretor mexicano Alfonso Cuarón precisou ser um pouco louco.

A história sobre dois astronautas (Bullock e George Clooney) à deriva na órbita terrestre após uma onda de detritos atingir seu ônibus espacial exigiu recursos técnicos inéditos no cinema. Para recriar movimentos em gravidade zero, Cuarón inventou guindastes especiais para levantar os atores. Para simular a falta de horizonte no espaço, usou máquinas semelhantes a um selim acoplado a um braço gigante. Para reproduzir a luz, cubículos iluminados que rodavam com a pessoa no interior.  “Quando comecei o roteiro, o filme teria efeitos especiais convencionais. Mas não foi o caso”, diz o cineasta à reportagem. “Passamos dois anos desenvolvendo essas novas tecnologias.”

Nestes anos todos martelando, Cuarón viu astros (Robert Downey Jr., Angelina Jolie, Scarlett Johansson) abandonarem o projeto, que parecia impossível. “James Cameron foi o único que falou: ‘Você pode fazer esse filme’”, diz o mexicano que recebeu dele um elogio. “É o melhor filme espacial da história do cinema”, disse o criador de “Avatar”. O filme teve consultoria da Nasa e é repleto de cenas detalhistas e extravagantes. Logo na abertura, Cuarón filma por 17 minutos, sem cortes visíveis, o conserto do telescópio Hubble pela personagem de Bullock e pela equipe do ônibus espacial Explorer, enquanto Clooney passeia pela órbita contando piadas.


‘Serra Pelada’ mistura bangue-bangue com gângster

Quando a reportagem visitou o set de filmagens de “Serra Pelada”, ano passado, o diretor Heitor Dhalia já avisava: “É uma mistura de faroeste com filme de gângster”. A promessa foi cumprida. O filme de R$ 10 milhões, que estreia hoje em Bauru, traz todos os elementos de um bangue-bangue (tiroteios, a linda prostituta presa ao vilão, terra sem lei) com pitadas de “Scarface” (a obsessão pela riqueza ilícita).

“A realidade era mais violenta em Serra Pelada do que a mostrada no filme. Eram muitas mortes no garimpo. Eu poderia ter feito um longa mais violento”, diz Dhalia. “Mas se eu entrasse muito nas histórias de crime, eu ia sair do foco do garimpo.”

Neste caso, o foco ficou em Juliano (Juliano Cazarré) e Joaquim (Júlio Andrade), amigos de infância que saem de São Paulo nos anos 1980 para tentar a sorte no recém-descoberto garimpo de Serra Pelada, no Pará.

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