Na cidade de Botucatu, o Centro Cultural já é um ancião, tem 71 anos. E muita história para contar. Nasceu e permanece como sociedade civil. Foi fundado em 1942 por intelectuais da época que queriam incentivar a leitura, explica o presidente do Centro, João Carlos Figueroa. “Na época, os intelectuais pretendiam fundar um gabinete de leitura. Eles queriam dotar a cidade de uma biblioteca que não tinha. Ela é remanescente de outras tentativas que deram errado. Desde 1885 pessoas tentavam montar uma biblioteca, e anos depois, desistiam.”
Em 42 se consolidou uma proposta da sociedade civil voltada para o público associado. “Eles retiravam livros e isso evoluiu até hoje. É mantida pelos associados. Temos um estatuto que prevê o mínimo de 20. Atualmente temos em torno de 70. A mensalidade é de R$ 6,00. Mesmo assim, há ainda pessoas que atrasam o pagamento.”
Para custear as despesas, explica João Carlos Figueroa, eles recebem ajuda da administração municipal. “A biblioteca é mantida com a ajuda da prefeitura, que paga água e luz. Locamos umas salas e recebemos R$ 5,00 de cada aluno que frequenta um curso aqui. Temos cursos de voluntariado e outros professores que dão aulas de francês, inglês, alemão. Desses alunos que frequentam vem o percentual de R$ 5,00 para nós.”
O prédio é próprio e tem perto de 100 volumes. “Precisamos recuperar alguns volumes e fazer a conservação. Estamos fazendo a catalogação. É um investimento grande. Mantemos ainda um cine clube.”
O cine clube existe há cinco anos e exibe filmes que não figuram no circuito comercial brasileiro. “Todos os sábados há exibição de filmes sobre a arte no cinema. Diretores conceituados no cinema estrangeiro e títulos que nunca seriam vistos. É tudo gratuito.”
Tem cinema italiano, escocês, africano e americano. “É uma proposta que supre uma necessidade da cidade de ter filmes de arte, com diretores que têm propostas interessantes. No auditório multiuso são realizados também shows esporádicos”, destaca Figueroa.