Economia & Negócios

Mutirão quer frear calote no comércio

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 4 min

O montante que 36.293 consumidores devem no comércio de Bauru saltou 55% em apenas 12 meses, fazendo o total da dívida atingir mais de R$ 26 milhões. Diante desse quadro, o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), vinculado à Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), acaba de dar início a um mutirão que se estende até dezembro.

Apenas no mês passado, 2.068 clientes tiveram o nome incluso no SPC, ante 1.945 em setembro de 2012, um crescimento de 6,32%. Em contrapartida, caiu 26,69% o número de consumidores que saíram do cadastro de maus pagadores, com 1.223 pessoas ‘limpando’ o nome em setembro de 2012 ante 897 no mesmo mês deste ano. O valor da dívida disparou: de R$ 1,41 milhão em setembro do ano passado para R$ 2,19 milhões no último mês – aumento de 55,03%..  

Para reverter essa tendência demonstrada em setembro, o SPC está oferecendo condições especiais para quem negociar seu débito. O presidente do CDL, Alceu Camargo, cita que os números expressam que as pessoas estão com dificuldade para pagar suas dívidas após se endividarem, aproveitando a fartura de crédito no comércio. Ele cita que os números iniciais de outubro já sugerem que mais pessoas procuram limpar o nome.

João Rosan

O economista Reinaldo Cafeo deu algumas dicas na hora de negociar os débitos

Segundo Camargo, o reajuste salarial conquistado nos últimos meses por algumas categorias favorece acordos em novembro. Ele cita que, nos próximos meses, haverá o pagamento do 13º salário, o que dará um fôlego para diminuir a inadimplência no comércio de Bauru. “Acreditamos muito na melhora a partir de novembro e vamos tirar esse pessoal do SPC. Temos autonomia para negociar para ter condições de compra no mês de dezembro”, projeta.

Atualmente, estão com o ‘nome sujo’ na praça 36.293 consumidores em Bauru, que devem um total de R$ 26.863.750,30 – dados até setembro. Em média, cada negativado deve R$ 740,19, geralmente com mais de uma dívida. Débitos de até R$ 500,00 representam a grande massa dos inadimplentes – um total de 31.405 pessoas.

Alegria

A consumidora Eliana Aparecida dos Santos, 36 anos, estava com o nome negativado desde 2009. Ontem, ela conseguiu um acordo e está livre da dívida. “Nossa, estou muito feliz porque consegui pagar”, comemora. Ela conta que se enrolou ao adquirir alguns produtos eletroeletrônicos e ficou sem crédito na praça. No final da tarde de ontem, ela foi ao SPC, negociou e pagou o que devia. “Nem acreditei quando paguei R$ 35,00 à vista”, cita.

  • Serviço

  • O Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) atende na rua Bandeirantes, 4-7, esquina com a rua Monsenhor Claro, no Centro. O telefone é (14) 2106-7070. O SPC atende de segunda a sexta-feira das 9h às 12h e sábado das 8h às 12h.


    Buscar o bom negócio

    A razão de um mutirão do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) é oferecer condição excepcional de negociação.

    O economista Reinaldo Cafeo observa que, no momento da negociação, ocorre a incorporação sobre o saldo devedor de multa, que pode chegar a 12%, e juros. Com esses acréscimos, a dívida dobra e a cobradora oferece de 30% a 45% de desconto como sendo ótimo negócio. O economista explica que, se o valor com desconto estiver muito distante do valor do bem pago à vista, é melhor retomar a negociação em busca de condições melhores.

    E quando o valor da proposta se aproxima do que seria o pagamento à vista, Cafeo aconselha não aceitar a primeira proposta de acordo. O devedor deve avaliar seu comprometimento de renda para saber se o valor das prestações cabe no seu orçamento, muitas vezes impondo ajuste nos seus pagamentos para suportar mais uma prestação. “Pessoas que aceitam a primeira proposta estão simplesmente adiando o problema. Soluciona hoje e janeiro vai estar inadimplente de novo porque não fez a lição de casa”, alerta.

    Negativo

    O pior já aconteceu e o nome está negativado. Agora é hora de agir com o lado negociador e somente efetivar a melhor proposta para liquidar a dívida. A sugestão do economista Reinaldo Cafeo é que as pessoas não se animem com a entrada do 13ª salário nem cometam loucuras porque em janeiro vêm muitas contas. Para Cafeo, a pessoa que acaba de sair do SPC tem que saber o que a fez ficar negativada antes de pensar em ir às compras.

    Há aquele que se endividou por uma circunstância pontual, como perda de emprego, um falecimento de familiar ou uma despesa extra. Cafeo entende que essa pessoa tem lastro financeiro para se endividar.

    O economista lembra que muita gente comete o equívoco de imaginar que uma prestação a perder de vista cabe no orçamento, porém se esquece de somar todos os seus compromissos financeiros.

    Cafeo cita que geralmente a pessoa não calcula seus gastos mensais, pode ter renda variável, dependendo sazonalmente do mercado, ou compra compulsivamente. Para este consumidor, o economista é implacável: “Não compre a prazo”.

    O economista entende que esse consumidor deve juntar o dinheiro para comprar à vista. “Ele fica contornando, mas em janeiro virão todas as despesas e vai chegar uma hora que ele não vai conseguir”, conclui.

     

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