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Cidadãos exemplares

Aurélio Alonso
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A vida humana é complexa. Só vemos qualidades e reconhecemos os feitos das pessoas quando elas morrem. Não deveria ser assim. Nesta semana, Bauru perdeu duas pessoas extraordinárias. Cada qual na sua atividade. Nada de ostentação, de riqueza ou de exercício da vaidade, tão comum nesta sociedade de consumo. Um, o radialista Sylvio Carlos Simonetti, o Syca, e o outro, o professor e ativista político Isaias Daibem.

A cada década que passa, a impressão que fica é que estamos perdendo grandes referências morais, culturais e políticas. Não sei se isso é saudosismo.

Na radiojornalismo, sem sombra de dúvida, Syca era apaixonado pelo que fazia. O maior legado, no entanto, foi formar muitos profissionais.

Pelo campo árido da política, num Brasil capenga de ideologia e de ruína moral, Isaias Daiben ajudou a valorizar o Parlamento Municipal. Não se contentou só com a área da Educação para formar bons cidadãos...

Entrou de corpo e alma na política partidária. Idealista, socialista, num País ainda conservador, defendeu com tenacidade suas opiniões. Até os adversários o admiravam pela retidão.

Daibem e Syca exerceram suas atividades num período emblemático de transição da ditadura para a democracia. Período de censura, noticiário controlado e ainda sob uma Constituição esculpida num período de autoritarismo. Nada disso mudou seus sacerdócios.

É no exercício do dia a dia que esses dois cidadãos deixaram um legado que precisa ser seguido. Afinal, apesar de um desenvolvimento tecnológico espantoso, o longo período de democracia plena, ainda faltam alguns atributos de cidadania: a retidão e uma preocupação com a coletividade. Talvez tenham ido embora para um outro mundo para que seus exemplos possam espelhar as futuras gerações de bauruenses. Nada é por acaso.

O autor, Aurélio Alonso, é editor regional do JC

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