Dessa vez, quem partiu foi o professor e socialista católico Isaias Daibem. Dele queria ressaltar, dentre tantas as boas realizadas ao longo de sua vida, só uma coisa. Conseguiu vivenciar algo cada vez mais difícil nos dias de hoje. Colocou em prática durante toda a vida o ser socialista e conseguiu praticar isso junto da resistência católica. De uma escola onde pontificaram os freis Leonardo Boff, Tito e Beto, além do nicaraguense Cardenal, Plínio de Arruda Sampaio e de um dos poucos resistentes ainda dentro da cúpula da igreja, o bispo Casaldaliga, o nosso Isaias atuou na mesma linha. Quem mais consegue manter acesa essa chama nos tempos atuais? Dentro do atual discurso católico, raros são os que mantêm não só o discurso, mas a prática da defesa do povo, não só rezando por ele, mas propondo sua plena libertação. Esse o grande perigo. Isaias nunca se afastou desse ideal de vida. Continuou frequentando as missas dominicais e todos os redutos de luta e de resistência na cidade. Deve servir de exemplo para todos os que hoje se cagam de medo de um contato mais estreito com o povo. Isaias sabia muito bem fazer esse e outros meios de campo, jogava sempre para a frente, mesmo na última partida de sua vida, onde escalado era pouco acionado. Parece que tinham medo de lhe passar a bola e ele permanecia ali esperando. O passe não chegou a contento até o dia em que foi levado para o ambulatório. Com a bola nos pés poderia ter dado outro destino para essa partida, essa que estamos vendo rolar hoje na política bauruense. Não preciso nem dizer que vai fazer falta, pois as peças de reposição disponíveis já não sabem atuar com tamanha desenvoltura e sabedoria.
Henrique Perazzi de Aquino, jornalista e professor de História